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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O CHE E A SUA POALHA HUMANA!...


Martinho Júnior | Luanda  

O homem, esse passou como um cometa em vida, um cometa plasmado duma mensagem de liberdade milenar e a nós cidadãos do mundo, honra-nos em vida seu exemplo, sua clarividência e sua coragem, própria dum resgate de milenar dignidade e identificada com as mais justas aspirações de toda a humanidade!

1- A primeira coisa que há a avaliar quando a referência é o Che, é a exigência a cada um de nós, cidadãos do mundo: até onde e até que ponto se interiorizaram a memória e os ensinamentos essenciais do Che, de forma a transformá-los em prática?... Até que ponto ousamos sonhar face aos imensos resgates que se nos impõem, mais ainda quando o capitalismo neoliberal assola todos os obscuros rincões do mundo?...

Se em África fizéssemos uma viagem de moto, para ler ao vivo nas veias abertas do continente, provavelmente os percalços seriam ainda maiores dos que os vividos pelo Che, por que às feridas sociais que se colocavam então na América, juntar-se-iam as feridas antigas de África e as de hoje, levadas a cabo pelas portas escancaradas pelo neoliberalismo, sem qualquer visível obstrução!

Minha própria vida tem sido vivida na poalha do Che, de sua passagem por África, em especial com sua guerrilha no Congo (esse assunto inesgotável que África tarda em coerentemente decifrar), por que a IIª coluna do Che faz parte da história do MPLA e a estreita aliança de Cuba Revolucionária com Angola tem perseguido, com muitos momentos decisivos, essa poalha do Che, também interpretada pelos maiores da Luta de Libertação em África, por Amílcar Cabral, por Agostinho Neto, por Samora Machel, por Sam Nujoma, por Mugabe, por Oliver Thambo, por Nyerere, por Laurent Kabila, por Thomas Sankara…

Essa poalha tornada vida é própria até de muitos companheiros que sobreviveram ao Che e, entre eles, destaco os exemplos de Rafel Moracén e de Viktor Drecke…

POLÍTICAS DO "ARCO DA GOVERNAÇÃO" INCENDEIAM IMPUNEMENTE PORTUGAL






Mário Motta, Lisboa

O inferno voltou a emergir em Portugal, mais concretamente na região centro, novamente, para além de aqui e ali no retângulo luso. Por esta hora o balanço é de 35 mortos e mais de 50 feridos, alguns graves.

A fotografia documenta de modo dantesco o que é o inferno nas zonas mais afetadas pelos fogos. A imagem é referente a Vieira de Leiria, de autor que não conseguimos apurar mas que pela sua expressão realista foi adotada pela ONU numa das suas páginas online. Ao fundo o Pinhal de Leiria, monumento nacional que foi devastado em 80% da riqueza natural de pinheiro bravo e manso. A importância deste pinhal na contribuição da construção de naus que zarpavam rumo ao desconhecido e a que chamaram os descobrimentos foi crucial. Dos pinheiros foi fruto a madeira que navegou contra ventos, marés e tempestades dos marinheiros portugueses que deram mundos ao mundo.

Muito se diz sobre a origem dos fogos. Há relatórios a despencar após eleboração de várias entidades. Há responsabilidades que não são de agora mas de há mais de 20 anos. Estes fogos infernais são o resultado das alterações climáticas, de incendiários, da EDP (como pode ler no título a seguir), disto e daquilo, mas principalmente das políticas erradas de três partidos políticos que têm sido sempre governo interpoladamente: o CDS, o PSD, o PS. Têm sido ministros e secretários de Estado seus (arco da governação) que conduziram ao descalabro e abandono, à anarquia, a que a floresta portuguesa tem estado votada. Abandono, puro e duro. Insensibilidade. Incompetência. Medidas economicistas que também abandonaram os cuidados a ter com as populações que circulam ou residem e laboram nas redondezas das florestas.

Antes, em Pedrógão, há dois meses, o saldo foi de 64 mortos e vários feridos. Hoje o saldo é de mais 35 mortos - um bebé de um mês incluído - 99 mortos no total. E os números ainda são provisórios relativamente aos fogos de ontem e de hoje. Bem podem declarar dias de luto nacional, e conferências de imprensa. Bem pode a atual oposição parlamentar e política "ladrar" a fim de retirar dividendos. Bem pode o PS, atual governo, dizer assim e assado... que de nada vale perante os portugueses que foram literalmente esturricados e pereceram perante as labaredas incontroláveis. De nada vale o que disserem e fizerem aqueles três partidos políticos ou os seus dirigentes e militantes aduladores. O que urge fazer é repensar a defesa da floresta e das populações com os que sabem como fazê-lo, sem lugar a boys e girls das simpatias partidárias dos que foram ou atualmente são governo.

Foram os governos anteriores dos chamados partidos políticos do "arco da governação" que acenderam os fogos que consomem o país e os portugueses que tiveram mortes horríveis. Impunemente, já se sabe. Porque as culpas, o apuramento das responsabilidades com reais consequências, morre sempre solteira. Só a impunidade não arde nas chamas dos incendiários que definiram erradamente, por vezes criminosamente, as políticas a aplicar na gestão e defesa das florestas e das populações vizinhas.

A tristeza e o repúdio mora em casa dos portugueses que ainda distam alguns quilómetros do teatro das chamas que dançam macabramente por muitos hectares do país. Ainda mais tristeza, saudade, dor e revolta, invade os que perderam os seus familiares. Que importa isso se a impunidade é absoluta e até premeia os que são responsáveis por hecatombes de fogos, de pontes caídas, da corrupção e do que mais vier de mal para vitimar os cidadãos portugueses. 

E assim vai Portugal, uns quantos vão bem e muitos milhões vão mal. Estão mal, ainda mais porque acreditam em políticos que se enquadram em molduras criminosas. E votam neles, em busca das desgraças que ainda mais nos hão-de vitimar. É sempre a mesma coisa... nas escolhas, no voto, nas eleições. E daí também há responsabilidade dos eleitores, dos cidadãos.

Abram os olhos, mulas. Diziam os da antiguidade. Pois.

Pedrógão: EDP na origem das chamas e um segundo fogo fora dos registos oficiais



São as conclusões de relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna à Universidade de Coimbra sobre o incêndio de Pedrógão Grande.

Uma linha de média tensão da EDP esteve na origem do grande incêndio de Pedrógão Grande e um dos dois fogos que esteve na origem dessas chamas nem sequer aparece nos registos oficiais. A conclusão é do relatório encomendado pelo Ministério da Administração Interna à Universidade de Coimbra.

O documento com quase 250 páginas (que está a ser lido pela TSF) é muito critico quanto ao combate a este fogo que matou 64 pessoas. Um incêndio que segundo estes especialistas começou numa linha elétrica.

A equipa da Universidade de Coimbra garante que o incêndio mais grave daquele dia, 17 de junho, nasceu de duas ignições que terão sido causadas por contactos entre a vegetação e uma linha elétrica de média tensão. E logo aí começa o tom critico do relatório ao sublinhar que essa origem das chamas revela, desde logo, "uma deficiente gestão de combustíveis na faixa de proteção da linha, por parte da entidade gestora"a EDP.

Os especialistas são claros a dizer que as faixas de proteção da rede elétrica de média tensão EDP não estão "devidamente cuidadas" pelo que a empresa deve aumentar a fiscalização.

Outro problema grave foi o combate inicial ao fogo que afinal nasceu de duas ignições. Uma, já se sabia, em Escalos Fundeiros e outra em Regadas, sendo em Regadas que está um dos maiores mistérios deste fogo.

O relatório garante que este fogo foi "menosprezado", "tendo até à junção com o incêndio de Escalos Fundeiros, apenas um meio pesado de combate terrestre", ou seja, um camião dos bombeiros. Ainda mais estranho: o relatório garante que não há qualquer registo oficial deste incêndio que segundo os especialistas foi de grande relevância para a devastação causada em Pedrógão Grande.

"Várias entidades desconheciam mesmo que o incêndio de Regadas tivesse existido".

Nuno Guedes | TSF

sábado, 14 de outubro de 2017

A Primeira Greve Geral de Porto Alegre e o líder negro Francisco Xavier da Costa (1871-1934)


Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite* | Porto Alegre | Brasil 

Há 111 anos, em outubro de 1906, ocorreu a primeira Greve Geral em Porto Alegre, conhecida como a “Greve dos 21 dias”, que reivindicou, entre outras coisas, oito horas de trabalho. Contando em torno de 3.500 operários, estes ocuparam as ruas e praças de Porto Alegre. Uma característica desta greve foi o número expressivo de trabalhadores estrangeiros e de mulheres operárias.

O intendente (prefeito) de Porto Alegre, na época, era o engenheiro José Montaury (1858-1939), e Antônio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961) governava o Estado. A ideia de uma paralisação se gerou entre os marmoristas, que se reuniam na Escola Eliseu Reclus, na Rua dos Andradas nº 64, sob o comando do líder anarquista Polidoro Santos (1881-1924),
  Já o grupo socialista era representado pelo líder negro, gráfico e jornalista Francisco Xavier da Costa (1871-1934) e por Carlos Cavaco (1878-1961). O primeiro criou, em 1897, o Partido Socialista Rio-Grandense, e o segundo, considerado o “verbo de fogo”, incendiou, com sua oratória, a classe trabalhadora. Ambos fundaram, em 1906, a Federação Operária do Rio Grande do Sul (FORGS).

Além dos marmoristas, outras categorias aderiram à Greve, como carpinteiros, marceneiros, pintores, alfaiates, tecelões e estivadores. Após oito dias, a paralisação dos serviços industriais era quase total. Os comerciários aderiram quando esta se encontrava em sua fase final.ideias criativas para ganhar dinheiro
 Quanto à sua condução, os anarquistas defendiam a neutralidade e a independência política dos sindicatos, divergindo nesta questão do grupo socialista. A discussão na imprensa ocorria entre jornal anarquista A Luta, relançado, em 1906, por Polidoro  Santos e pelo gráfico José Rey Gil, e o jornal socialista, A Democracia (1905-1908), criado pelo líder Francisco Xavier da Costa. Um verdadeiro duelo de palavras ocorria entre os seus redatores.

No decorrer da Greve, Alberto Bins (1869 - 1957) - representante dos industriais – e o líder Francisco Xavier da Costa chegaram a um acordo, no qual ficou estabelecido a jornada de trabalho de nove horas. ideias criativas para ganhar dinheiro

Embora as diferenças, no campo ideológico, anarquistas e socialistas tinham objetivos, em comum, como lutar por melhores condições de trabalho, reduzir a excessiva carga horária do operário, exigir aumento salarial, além de denunciar os maus tratos sofridos pelos operários. Durante a greve, o policiamento foi ostensivo, e os piquetes tentavam impedir os chamados “fura-greves”. No dia 9 de outubro de 1906, os operários descontentes quanto à proposta, da classe patronal, de 9h diárias, decidiram permanecer em greve. Seguiram-se várias prisões…
   
Em 21 de outubro de 1906, a greve chegou ao seu término, embora os conflitos, entre operários e patrões, continuassem. Os anarquistas, por meio do jornal A Luta, denunciavam que, ao contrário do que outros jornais divulgavam, ocorriam punições e demissões, quando o operário retornava ao trabalho. As arbitrariedades, com certeza, eram resultado da ausência, na época, de uma legislação trabalhista, que garantisse os direitos dos operários. Encerrada a greve, a categoria dos marmoristas, que deu início à greve, seguiu na luta até conquistar a carga diária de oito horas.     

De acordo com o jornalista João Batista Marçal, o líder socialista Francisco Xavier da Costa se deixou envolver pelo jogo da política burguesa. Ao perder espaço, na FORGS, para os anarquistas, ele concorreu, em 1912, pelo Partido Republicano Rio-Grandense (PPR). Eleito, em 1912, com 4337 votos, foi o primeiro vereador negro de Porto Alegre.  A Greve Geral de 1906 foi um marco da luta operária em nosso Estado.

*Pesquisador e coordenador do setor de imprensa do Musecom


Imagens:  
1 - Polidoro Santos  / Acervo de Isabel Bilhão  
2 Jornal anarquista A Luta de 1906  Acervo de João Batista Marçal 
3 - Líder negro Francisco Xavier da Costa e seu jornal A Democracia (1906-1908)

Bibliografia:
MARÇAL, João Batista. A Imprensa Operária do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2004.
MARÇAL João Batista; MARTINS, Mariângela.  Dicionário Ilustrado da Esquerda Gaúcha. Porto Alegre : Libretos, 2008.
SCHMIDT , Benito Bisso. De Marmore e de Flores: a Primeira Greve Geral do RS / Porto Alegre, Outubro de 1906.  Porto Alegre : Editora da UFRGS,2005.

ANGOLA | A força do Governo saído das eleições



José Ribeiro | Jornal de Angola | opinião

O Governo saído das eleições entra em funções com uma elevadíssima quota de legitimidade política para levar por diante o programa sufragado nas urnas pelo povo.


Além de marcar a primeira transição política de liderança por via democrática em Angola, o que já, só por aí, lhe dá um grande poder discursivo e argumentativo, a vitória de João Lourenço e do MPLA por maioria qualificada abre um importante espaço de manobra política para os cinco anos de mandato.

Transportando ainda o valioso legado deixado pelos antecessores, base sobre a qual assentará a acção do Executivo, o poder democrático do Governo de João Lourenço e do MPLA é vasto, no quadro, evidentemente, daquilo que são os limites comumente reconhecidos.

O Governo tem também a enorme vantagem de reunir à sua volta toda a disponbilidade e solidariedade dos quadros nacionais e das populações para começar a fazer o seu trabalho. Geralmente, nos períodos após eleições, a essa posição de esperança diante do que aí vem de positivo, se chama expectativa. Mas em Angola, por causa, talvez, do sofrimento gerado pela guerra, essa atitude é particularmente sincera. As pessoas querem trabalhar e ver as coisas a andar, seja a que preço for, pois se isso acontecer, todos terão a ganhar. Essa postura ficou bem expressa no momento da paz, quando todos os angolanos se uniram à volta do nome “Angola”, vieram trabalhar para a terra e trouxeram outros. Este é um grande capital com que contam, hoje ainda, os nossos novos governantes.

No lema eleitoral de campanha do MPLA, “Corrigir o que está mal, Melhorar o que está bem”, ficou bem vincada a manifestação de vontade e de bondade dos nossos dirigentes políticos. Mas o “slogan” faz também repousar sobre o Governo uma grande responsabilidade face aos desafios que enfrenta. Além de corrigir e melhorar o que está feito, é preciso fazer coisas novas, mostrando que não vamos ficar apenas agarrados ao passado, mas ter os olhos postos no futuro, o que exige não somente vontade política e bondade, mas também estudo e elaboração de novas políticas e medidas acertadas, algumas das quais parecerão provavelmente impopulares, mas serão importantes para a economia e as populações.

Angola | O MEMORIAL DA BATALHA DO CUITO CUANAVALE E A HISTÓRIA





Terça-feira 19 de Setembro de 2017 ficou marcada pela inauguração de um Memorial à “Batalha do Cuito Cuanavale (BCC)”, um dos símbolos que representam não só uma das principais vitórias da luta pela soberania de Angola, mas também o cumprimento de um dos legados deixados pelo primeiro Presidente da República, Agostinho Neto.

General Paulo Lara*

O primeiro Presidente de Angola, da então República Popular de Angola. Agostinho Neto foi definindo desde sempre que um dos deveres indeclináveis de solidariedade e “internacionalismo” devidos ao nosso país eram a Independência da Namíbia e o fim do apartheid na África do Sul. José Eduardo dos Santos, após oito anos como Presidente e Comandante em Chefe das FAPLA, vencedor na luta contra a invasão sul-africana, inaugurou o monumento três décadas depois.

Ao ver as imagens na televisão, surgiram-me na memória companheiros com quem compartilhei alguns momentos históricos naquele teatro operacional: Sanjar, José Pedro, Ita, Ngueto, Piricas, Mingó e Cowboy que tiveram um papel importante em diferentes fases daquele período e que hoje já não compartilham este momento.

Para a maioria do povo angolano, “cúmplice” deste sonho e que contribuiu sofridamente para a sua concretização, e sobretudo para os combatentes e para os familiares dos heróis tombados durante a longa guerra, acredito ser alentador este reconhecimento para quem, afinal de contas, estava do lado certo da história, não só na defesa do país como no combate para a libertação total do continente africano.

Moçambique: REFLORESTAMENTO FICA-SE PELAS INICIATIVAS



Florestas continuam a desaparecer em Moçambique. Apesar das iniciativas de reflorestamento iniciadas, o cenário não melhorou. Para as ONGs estão na origem disso a falta de consciencialização ambiental e a corrupção.

Quando era Presidente, Armando Guebuza criou as iniciativas "um líder, uma floresta" e "um aluno, uma planta" e deixou orientações para o seu cumprimento. O objetivo principal era incentivar as comunidades para a criação de florestas.

Mas sete anos depois, já pouco se fala desses projetos e muitos são os alunos e líderes comunitários em Moçambique que não têm uma única floresta. Um deles é Estevão Rafael Ramiro, cabo do regulado de Monapo, na província de Nampula, no norte.

"Cada líder é obrigado a ter a sua floresta, é uma lembrança e é ordem. Cada líder quando morre deve deixar o seu património, então é obrigado a ter uma floresta. Mesmo eu não tendo uma floresta, tenho que dizer aquilo que sou orientado", explicou.

O atual Governo reconhece o fracasso no cumprimento das orientações presidenciais de expansão das florestas, mas já avança soluções. Xavier Sakambuera é o diretor nacional de Florestas no Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural.

Moçambique | PURA COVARDIA



@Verdade | Editorial

A intolerância política no país continua a ganhar proporções alarmantes sob olhar indiferente das autoridades que têm o dever de colocar cobro nessa situação. A título de exemplo, o assassinato do presidente do Conselho Municipal da Cidade de Nampula, Mahumudo Amurane, representa o cúmulo da violação de liberdade de expressão e política. Amurane foi ironicamente assassinado no “Dia da Paz” em Moçambique, na sua residência particular no bairro de Namutequeliua, por um indivíduo desconhecido que disparou três tiros à queima roupa.

O assassinato do edil de Nampula representa uma enorme tragédia não só para os munícipes de Nampula, mas também para o resto do país. Amurane não era apenas um edil, mas um homem comprometido com o seu povo e a sua cidade. Amurane mostrou que é possível estar no poder para servir o povo e não aos seus interesses pessoais, como temos vindo a assistir no país. Em menos de quatro anos, ele fez de Nampula uma cidade aprazível. Transformou os espaços da urbe e devolveu a dignidade aos munícipes.

O brioso trabalho de Amurane, certamente, causou inveja a um bando de incompetentes que olha para o Estado como se de uma vaca leiteira se tratasse. Num país governado por abustres, Amurane foi assassinado por ser uma pessoa idónea, íntegra e incorruptível.

É óbvio que os mandantes de crime aproveitaram-se do desentendimento entre o edil e o seu partido, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), para lograr os seus intentos. É demasiadamente óbvio que se tratou um acto para silenciar um indivíduo que se mostrava uma ameaça para os demais partidos políticos. Diante dessa situação, os munícipes de Nampula não pode permitir que este seja mais um assassinato sem desfecho. Os munícipes têm a responsabilidade de exigir justiça diante desse crime que representa um acto de pura covardia.

Não sejamos insensíveis como os mandantes desse bárbaro acto. Como munícipes de Nampula, olhando para o trabalho que Amurane fez, temos de ser capazes de exigir a justiça e responsabilização. Temos de ser capazes de protestar contra todos os actos bárbaros que vitima(ra)m muitos dos nossos compatriotas inocentes. Não podemos ser cúmplices de todas atrocidades cometidas contra homens honestos deste país e que pensam diferentes.

Amurane começou um projecto e não podemos deixar que os seus ideais morram. Deixemos de lado o medo, mesmo sabendo que, no momento da nossa luta contra esses bandidos que assaltaram o Estado, sejam enviadas a Unidade de Intervenção Rápida, armados até aos dentes, prontos para reprimirem, castrarem e até matarem sem dó nem piedade a todos que tiverem a ousadia de se lhes opuserem ou resistirem. Portanto, é preciso que nos lembremos de que “Somos todos Amurane”.

- Foto em Google

Fórum Luso-Asiático acusa Portugal de se ter "desligado" da comunidade portuguesa em Macau



Lisboa, 13 out (Lusa) -- O presidente do Fórum Luso-Asiático, Arnaldo Gonçalves, acusou hoje Portugal de se ter "desligado" da comunidade portuguesa em Macau desde que este deixou de ser território português.

"Portugal acompanhou as questões da China e de Macau enquanto Macau foi território português", afirmou à Lusa Arnaldo Gonçalves.

O Presidente daquela associação considera que, a partir desse momento, notou "nos vários governos e presidentes da República" um "desligamento relativamente à realidade" de Macau.

O Fórum Luso-Asiático, uma associação de cooperação e intercâmbio de Portugal com a Ásia e a China, organizou hoje uma palestra, em Lisboa, no âmbito do seu 20.º aniversário, denominada "Construir Pontes -- derrubar muros -- A relação especial Portugal/China".

Para o responsável, a postura do governo português contrasta com o interesse de outros países relativamente à região de Macau.

"Enquanto outros países começam a relação, nós temos uma de 440 anos com a China e deixamo-la fugir entre os dedos como areia", sublinhou, considerando a situação "incompreensível".

"Por um lado, Portugal está preocupado com o Brasil, e muito bem, está preocupado com a nossa comunidade em Angola e Moçambique, e muito bem, mas depois não se preocupa com Macau", referiu.

Governo timorense minoritário enfrenta na próxima semana primeiro teste no parlamento



Díli, 13 out (Lusa) - O VII Governo constitucional timorense, minoritário, enfrenta na próxima semana no Parlamento o primeiro grande teste com o debate do programa do Executivo a poder condicionar a vida no país até meados de 2018.

Um eventual chumbo do texto, para o qual são precisas duas moções de rejeição da oposição que controla 35 dos 65 lugares do Parlamento Nacional, implica a queda do Governo, que tomou posse há um mês, e abre o cenário a eventuais eleições antecipadas, condicionando o orçamento do Estado do próximo ano e a estabilidade política do país, de acordo com a legislação em vigor em Timor-Leste.

Ainda antes de receberem o documento preparado pela coligação da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e do Partido Democrático (PD), as restantes três forças parlamentares, Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), Partido Libertação Popular (PLP) e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO), constituíram-se em bloco de alternativa de governação.

Na quinta-feira, as três forças consolidaram o acordo com a assinatura de um documento sobre a "plataforma de Aliança de Maioria Parlamentar" (AMP), o que faz regressar ao país os debates de há 10 anos, quando uma coligação liderada pelo CNRT - segundo mais votado nessa altura como este ano - liderou a primeira AMP para assumir o Governo.

Após semanas de negociações, o PLP e o KHUNTO acabaram por rejeitar fazer parte da coligação do Governo e o CNRT, cujo líder Xanana Gusmão tinha rejeitado qualquer coligação e garantido que daria estabilidade ao executivo, volta a liderar uma aliança contra a Fretilin.

Violência género e grupos artes marciais são preocupações em Timor-Leste -- estudo



Díli, 13 out (Lusa) -- A violência de género e de grupos de artes marciais são os maiores focos de conflito em Timor-Leste, país que apesar de jovem é mais pacífico do que "países com muito mais experiência" democrática, segundo um relatório.

O relatório "O estado da violência na Ásia", da Asia Foundation, analisa tendências históricas e atuais em 14 nações da Ásia, entre as quais Timor-Leste, considerando que o padrão de crescimento económico e urbanização poderão levar a um aumento de conflito e violência na região.

"Intrigantemente, Timor-Leste e a Mongólia são duas democracias que são mais pacíficas do que países como muito mais experiência na governação democrática", lê-se num dos artigos de análise do estudo, assinado pelos académicos Sana Jaffrey e Dan Slater.

A violência doméstica ou de género, refere o relatório, mata mais mulheres do que conflitos armados e, por isso, "deveria ter mais atenção dos legisladores, governantes e da comunidade internacional".

Em Timor-Leste, nota o estudo, "14% de todas as mulheres entre os 15 e os 49 reportam ter sido violadas" e o país tem a segunda maior taxa de abuso infantil na região.

Em termos gerais, Díli continua a ser o local onde se registam mais incidentes violentos, com o estudo a citar dados da Belun que refere que entre 2014 e 2016 se registaram mais de mil incidentes violentos, cerca de um terço do total que ocorreram no país.

"Uma ampla gama de fatores torna Díli vulnerável ao crime e à violência urbana, incluindo a rápida migração rural para a cidade, o desemprego juvenil, o crescimento de gangues", refere o estudo.

A DESESTABILIZAÇÃO PROVOCADA À ESCALA GLOBAL PELA HEGEMONIA UNIPOLAR…



ESTÁ A NU E EM DESESPERO DE CAUSA

Martinho Júnior | Luanda  

1- Quando em 2003 no ACTUAL me abalancei a interpretar os fenómenos que atingiam o Cáucaso, a Rússia e a Geórgia, sem esgotar o assunto consegui um nível de “radiografia” que tem contribuído para chegar a conclusões mais consolidadas em função de outras situações investigadas e estudadas ao longo do tempo, de então para cá.

Já naquela altura, 2003, era possível começar-se a aperceber, com o inventário das questões que se prendiam ao Cáucaso, quanto os interesses da hegemonia unipolar, perdida a vantagem que tiveram com o tandem Gorbatchov – Ieltsin, passaram a ter muito mais dificuldades com o tandem Putin – Medvedev, a ponto de serem obrigados a passar à defensiva, perdendo paulatinamente as posições geoestratégicas no supercontinente Eurásia.

Perdido o controlo fulcral sobre a energia e o gás na Rússia, a hegemonia unipolar não possuía alternativas geoestrategicamente coerentes para melhor equacionar os seus interesses e por isso, com base nas alianças do quadro da NATO, mas também as alianças com as monarquias arábicas e Israel, entrava nas disputas em relativa desvantagem, por que em qualquer intervenção, não haviam posições em grandes espaços consolidadas.

À “civilização judaico-cristã ocidental”, em contranatura com as culturas arabizadas (e muçulmanas), faltou a capacidade para atacar a transversal de longo-curso, que liga as costas do Pacífico às costas do Atlântico, faltou uma “belt and road”, faltaram os oleodutos e gasodutos extensos seguindo em“ossatura” os paralelos e alguns meridianos, faltou um projecto ao nível das implicações transcontinentais como a nova Rota da Seda.

2- Por isso mesmo, as condutas implicadas nos expedientes da hegemonia unipolar que sob o ponto de vista geoestratégico foram remetidas à defensiva em regime de relativa desconexão e pressão, só podiam retardar a emergência multipolar por via da promoção do caos, do terrorismo e da desagregação, até por que uma parte importante dos financiamentos (e das acções), tinham que passar por crivos em Israel e nas monarquias arábicas, tendo em conta que eram estas as produtoras de petróleo e de gás à disposição dos interesses da hegemonia unipolar, como era aquela a promotora das geoestratégias (mais limitadas) a sul da Rússia e da Ásia Central, “no terreno”, conforme foi potenciado o “IASPS” (“Institute for Advanced Strategic & Political Studies”).

CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES 2



Thierry Meyssan*

Desde há 16 anos, inúmeros debates despertaram os peritos de política internacional para determinar os objectivos da estratégia norte-americana. É evidentemente mais fácil chegar a uma conclusão após este período do que no seu início. No entanto, muito poucos o fizeram e muitos persistem em defender teorias que tem sido desmentidas pelos factos. Apoiando-se nas conclusões deste debate, Thierry Meyssan alerta para a etapa seguinte prevista para os exércitos dos E.U. segundo os seus teorizadores anteriores a este período ; uma etapa que poderá ser em seguida posta em prática.

As forças que idearam e planearam a aniquilação do «Médio-Oriente Alargado» consideravam esta região como um laboratório no qual eles iam testar a sua nova estratégia. Se em 2001, compreendiam os governos dos Estados Unidos, do Reino Unido e de Israel, entretanto, elas perderam o poder político em Washington e prosseguem o seu projecto económico-militar através de corporações multinacionais privadas.

Desenvolveram a sua estratégia usando, por um lado, os trabalhos do Almirante Arthur Cebrowski e do seu assistente Thomas Barnett no Pentágono, e por outro lado de Bernard Lewis e do seu assistente Samuel Huntington no Conselho de Segurança Nacional [1].

O seu objectivo é, ao mesmo tempo, adaptar o seu domínio às evoluções técnicas e económicas contemporâneas e de o estender aos países do antigo bloco soviético. No passado, Washington controlava a economia mundial através do mercado global da energia. Para o conseguir, impunha o dólar como moeda para todos os contratos de petróleo, ameaçando com a guerra qualquer contraventor. No entanto, este sistema não podia durar a partir da substituição parcial pelo gás russo, iraniano, catariano —e, em breve, sírio — do petróleo.

O pós-capitalismo particular de Mahatma Gandhi



Previu os desastres da alienação do trabalho, do consumismo, do maltrato aos animais. Defendeu uma vida frugal para todos e uma nova democracia, com controle social

Débora Nunes* | Outras Palavras

Há uma bela viagem a fazer com Mahatma Gandhi: acompanhá-lo em sua crítica ao capitalismo e sua proposta de uma sociedade pós-capitalista, a partir da evolução da consciência humana. Nem que seja uma viagem bem curta, apenas à sua premonitória visão ecológica sobre os desastres que o capitalismo promoveria, por ter sido feita no início do século 20, antes da existência da sociedade consumista de massas.  Quem me conduziu anos atrás nessa viagem foi o professor Jeevan Kumar, que dirigiu por muitos anos o Centro de Estudos Gandhianos vinculado à Universidade de Bangalore (Índia), onde fiz o meu pós-doutorado.  É com Jeevan que saímos juntos para essa viagem breve.

Em sua visão integral acerca do desenvolvimento da teia da vida, Gandhi afirmava, tendo em vista o capitalismo: “uma sociedade em que os trabalhadores são tratados como máquinas, em que os animais são explorados cruelmente nas fazendas industriais e em que a atividade econômica leva à devastação da natureza não pode ser concebida como uma civilização”.

Portugal | CONHECIDOS E DESCONHECIDOS NA OPERAÇÃO MARQUÊS



Francisco Louça | Público | opinião

Donald Rumsfeld, um assanhado falcão que foi ministro dos EUA durante as suas recentes guerras mesopotâmicas, celebrizou-se por poucas coisas. Era um homem de negócios, a sua empresa foi das grandes beneficiárias da guerra, a ocupação do Iraque foi uma bênção para o terrorismo e uma maldição para os árabes, não é fácil encontrar alguma coisa que o recomende. Mas pelo menos dizia ao que vinha.

Talvez por isso os participantes na cimeira da NATO de 2002 possam ter sido surpreendidos pela sua triste declaração:«A mensagem a transmitir é que não há “conhecidos”. Há coisas que sabemos que sabemos. Há desconhecidos conhecidos. Isto é, há coisas que agora sabemos que não sabemos. Mas também há desconhecidos que desconhecemos. Há coisas que não sabemos que não sabemos.» De um chefe de guerra que conduz as tropas, mesmo que à confortável distância de um ecrã de videojogo, esperava-se certamente mais garbo. Mas as coisas são como são e Rumsfeld ficou-se por esta charada, só há “desconhecidos conhecidos” e “desconhecidos desconhecidos”, seja lá o que isso for.

Pois o caso da Operação Marquês contra José Sócrates, que agora chegou à acusação, prova que Rumsfeld não viu o filme todo: também há outra classe que ele esqueceu, a dos “conhecidos desconhecidos”. Um conhecido desconhecido é um ser bizarro, que está à nossa frente e não sabemos bem o que seja. Tem cheiro e cor, mas ao que vem, isso é desconhecido. O caso Marquês é esse bicho. O processo jurídico, o nosso conhecido (afinal já leva quatro anos de fugas de informação para o Correio da Manhã), se é alguma coisa pela certa, é só uma ponta do iceberg, esse sim menos conhecido, das relações entre política e negócios.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

PORTUGAL | “Não há argumentos para que não se aumente já em Janeiro” - Rita Rato



A abstenção do PS não foi suficiente para que as propostas de aumento do salário mínimo para 600 euros em Janeiro fossem aprovadas. Rita Rato lembrou que «cabe ao Governo e não à concertação social» a fixação do valor.

Os três projectos de resolução que foram hoje levados a votação no plenário da Assembleia da República recomendando o aumento do salário mínimo nacional para 600 euros em Janeiro, por iniciativa do PCP e do PEV, foram chumbados com o voto contra do PSD, do CDS-PP e do deputado do PS Paulo Trigo Pereira.

A iniciativa do PAN, que recomendava a negociação do aumento para 600 euros na concertação social, foi votado de forma idêntica, à excepção do CDS-PP, que se absteve.

A deputada Rita Rato, que apresentou o projecto do PCP, lembrou que a decisão de aumentar o salário mínimo é competência do Executivo e não da concertação social, e acrescentou: «Sempre que foi para cortar direitos foi nesta Assembleia que se decidiu.»

O PCP vem reivindicando o aumento do salário mínimo nacional para 600 euros desde 2015.

O deputado José Soeiro defendeu o ritmo de crescimento mais moderado face ao que o BE propôs na campanha eleitoral de 2015, quando exigia um aumento para 600 euros logo no ano seguinte. «O BE exigiu que ficasse escrito no acordo com o PS que o salário mínimo chegaria aos 600 euros até ao final da legislatura e que aumentaria 5% ao ano», afirmou. A aplicação do acordo entre o PS e o BE significa que neste ano o salário mínimo se fica pelos 557 euros e, seguindo o mesmo ritmo, não ultrapassará os 580 euros em 2018.

Apesar de o seu partido ter assumido o aumento do salário mínimo para 600 euros como uma das suas «maiores preocupações» em Setembro de 2015, Catarina Martins acabou por afirmar, em entrevista ao DN dois meses depois, que «seria demagógica se dissesse que acredito que seria possível ter 600 euros em 2016, não é possível».

O Governo do PS tem escolhido negociar na concertação social os aumentos do salário mínimo, usando como referência os valores acordados com o BE. O PSD e o CDS-PP recorrem a esse mesmo argumento para justificar a oposição, escusando-se assim a assumir se estão ou não de acordo com a subida para os 600 euros já em Janeiro.


CANIBALTICE | A violência social continua na PT/Meo



A Altice abriu uma autêntica “caixa de Pandora” nas áreas da gestão e das relações laborais e do emprego em Portugal. É preciso parar o desrespeito pela lei e a humilhação sobre os trabalhadores.

José Casimiro* | opinião

Uma vez mais a Altice, dona da PT/Meo1, delineou uma nova estratégia para contornar a lei e a condenação com que foi objeto pela Autoridade de Condições de Trabalho (ACT) por várias violações à lei e infrações por “violação de disposições constantes de Instrumentos de Regulamentação Coletiva de Trabalho (IRCT), falta de pagamento pontual de retribuições, reintegração de trabalhador após despedimento ilícito, vigilância da saúde no trabalho, mobilidade funcional, compensação e descontos na retribuição, registo de pessoal e mapa de horário de trabalho”. A Altice está a enviar para casa de imediato, mais de um centena de trabalhadores, dos cerca de 300 trabalhadores, colocados sem tarefas atribuídas, afetos a departamentos dependentes diretamente da DRH, as conhecidas USP – Unidade de Suporte e UTT – Unidade de Trabalho Temporário.

Afastar trabalhadores do seu posto de trabalho é já em si uma violência social tremenda. A Altice já nos disse ao que vem, mesmo que tenha que pagar coimas à ACT de cerca de 4,8 milhões de euros que considera serem “trocos” na concretização da sua estratégia.

O seu grande objetivo é a liquidação da estrutura operacional – onde se encontram mais de 3.500 trabalhadores – a DOI – Direção de Field Operations, transferindo a sua atividade para outsourcing.

No imediato, as preocupações estão centradas na concretização de cerca de 1.400 rescisões contratuais em dois anos, a que se junta a mudança de 155 trabalhadores2 para empresas do grupo da multinacional3 de comunicações e conteúdos, recorrendo à figura fraudulenta de “transmissão de estabelecimento” mas que mais não é do que despedimentos encapotados.

A luta dos trabalhadores e das suas ORT’s não tem parado, obrigando o PS a vir a terreno, na Assembleia da República4, a acompanhar o Bloco de Esquerda, o PCP e o PAN, na apresentação de um projeto de lei que impeça a utilização abusiva da “transmissão de estabelecimento”. O governo PS tem, também, de assumir as suas responsabilidades contra o abuso da multinacional Altice e parar este processo.

A Altice abriu uma autêntica “caixa de Pandora” nas áreas da gestão e das relações laborais e do emprego em Portugal. É preciso parar o desrespeito pela lei e a humilhação sobre os trabalhadores. Continuar a luta é importante, pois ela já não é só dos trabalhadores da PT/MEO mas uma luta de todos os trabalhadores portugueses.

1 Anexo – Documento de “Autorização de dispensa de assiduidade”
2 Destes 26 trabalhadores acabaram por rescindir
3 A Tnord, a Sudtel, a Winprovit e a parceira Visabeira
4 Quando por cedência às Confederações Patronais, U.E., OCDE e FMI, tem vindo a remeter para a concertação social as alterações à legislação laboral

Artigos relacionados: 

Sobre o autor
José Casimiro, em Esquerda.net
Deputado municipal em Lisboa. Dirigente do Bloco de Esquerda

PORTUGAL | Primeira sondagem pós-autárquicas: PS, BE e PCP sobem, PSD e CDS descem



Na semana do Orçamento, toda a esquerda regista subidas na intenção de voto. Popularidades de PM e líder do CDS crescem o mesmo. Passos regista um quarto do saldo que tinha há um ano

Os bons resultados de PS e CDS nas eleições autárquicas tiveram repercussão nas popularidades dos respetivos líderes: António Costa e Assunção Cristas, os dois vencedores da noite de 1 de outubro, veem os seus saldos crescer exatamente os mesmos 1,6% cada um no barómetro mensal da Eurosondagem para o Expresso e SIC.

Maior variação, mas de sinal contrário, só na popularidade de Pedro Passos Coelho: o presidente do PSD (que já tinha assumido ir deixar o cargo, aquando da realização desta sondagem) decresce 3,6% em relação ao mês passado. O seu saldo é agora de 4,4% (45% menos do que os 8% que tinha em setembro), muito perto do valor mais baixo que registou desde que passou de primeiro-ministro a líder da oposição — 3,6% em dezembro de 2015. Mas é na comparação com o que tinha há exatamente um ano que a sua queda ganha outra expressão: em outubro de 2016, o seu saldo era quase quatro vezes superior (16,6%).

A desgraça do líder social-democrata é acompanhada pelo percurso novamente descendente do seu partido nas intenções de voto. O PSD perde ‘apenas’ 0,7% em comparação com o mês passado (tem agora 28%), mas é quanto basta para o atirar para o valor mais baixo desde que está na oposição. Já o seu antigo parceiro de Governo perde 0,8% e volta aos 6% (um mínimo que o CDS não registava neste barómetro desde agosto de 2016).

Em contrapartida, todos os partidos da ‘geringonça’ sobem nas intenções de voto dos inquiridos — no que pode bem ser já uma consequência das boas notícias do Orçamento do Estado de 2018 (cujas linhas gerais começaram a ser conhecidas nos últimos dias em que decorreram as entrevistas para o inquérito): o PS retoma a trajetória ascendente que tinha interrompido há um mês e fixa-se nos 41%, já muito perto de um limiar mínimo para a ambicionada maioria absoluta; o BE sobe 0,6 pontos percentuais e volta aos 9% (que não tinha desde maio) e a CDU, depois de dois meses em perda, ganha duas décimas em relação a setembro e está agora com 7,5%.

Cristina Figueiredo | Expresso (ver mais no original

ESPANHA ESTALA SOB O CHICOTE DE RAJOY!



ESPAÑA EN EL CORAZÓN
EXPLICO ALGUNAS COSAS 

Preguntaréis: Y dónde están las lilas? 
Y la metafísica cubierta de amapolas? 
Y la lluvia que a menudo golpeaba 
sus palabras llenándolas 
de agujeros y pájaros? 
Os voy a contar todo lo que me pasa… (Pablo Neruda)

Martinho Júnior | Luanda 

1- A violência policial excessiva abateu-se sobre a Catalunha, quando não haviam actos que fossem sinais duma "revolução colorida" formatada a partir do exterior, nem na votação, nem na greve geral, que teve o reforço dos principais sindicatos do país.

Há muitos problemas de fundo a considerar em Espanha e por tabela também na Catalunha, com implicações sócio-políticas e culturais e o facto dos sucessivos governos instalados em Madrid não os abordar deliberadamente, fugindo a eles, ou agarrando-se ao argumento fechado, mas estaladiço, da legalidade década após década, tem contribuído para que as pressões sociais aumentem, levando de novo ao reforço do ideal de república e independência, contaminando não só a Catalunha mas toda a península Ibérica!

As fracturas contemporâneas de Espanha, a qualquer momento recorrem a fissuras antropológicas e históricas que toda a península Ibérica deve sempre levar na devida conta, ou não fosse a monarquia um obsoleto artifício de lesa século XXI, até pelo seu renascimento gerado a partir do fascismo de Franco, próprio de meados do século anterior e mergulhando no feudalismo medieval!…

2- A legalidade torna-se assim um argumento caduco e artificioso, à superfície das águas, mas a Catalunha implica uma intensa leitura cultural e histórica, bem como implícitas filosofias e conceitos que lhe são adjacentes, que estando na profundidade sem serem resíduos, podem a qualquer momento, particularmente quando as contradições se distendem de forma consciente sob pressão, vir à superfície e ficarem evidentes e claros, impondo-se à limitada e deliberada opacidade do argumento legalista!

Escudar-se apenas na legalidade, é meio caminho andado para o exercício da repressão e foi isso que ficou explícito no exercício que fez Rajoy ao reforçar com a polícia de choque a sua musculada resposta aos desafios que emergem a partir da Catalunha!

O governo de Rajoy está a demonstrar que não está capacitado para abordar esse tipo de assuntos e problemas, nem a nível interno, nem a nível internacional, com a agravante de tentar levar seus pares, o rei e outras sensibilidades sócio-políticas, no mesmo caminho cujo traçado constitui uma das suas piores defesas!

É evidente que, nesse sentido, julga-se resguardado pela hegemonia unipolar, pela NATO e por uma União Europeia inquinada por tantos desequilíbrios intestinos, particularmente entre uma próspera e bem organizada Alemanha e os outros, situados a leste e a sul!...

3- Ao invés de ser solução em reforço duma União Europeia muito mais humanizada e fluida, uma União Europeia que rompa as correntes das leituras economicistas e financeiras de cariz neoliberal, Rajoy prende-se ao músculo do passado e dum presente que não serve quando encara face a face, olhos nos olhos, o povo e a premente necessidade de sua participação, nem a clarividência dum Presidente Maduro, que tem todas as razões para chamar a oportuna atenção às contradições de que se nutrem os equívocos de Rajoy!

São pois muito pobres as suas respostas, tal como as do rei “que não se cala”, que se escudam apenas na (de)corrente legalidade, o que deixa em aberto e visível Catalunha e a saga de sua independência duma coroa que além de mais, perante os ideais da república e tendo em conta as experiências republicanas do passado ainda que efémeras por causa da barbaridade fascista, conferem outra coerência e dignidade à vontade dos povos!

4- O Presidente Maduro, à frente da Venezuela Bolivariana, no âmbito do carácter e da legitimidade do “Todos somos Venezuela”, escancarou as portas das contradições de Rajoy(por tabela de Trump), nas suas limitações sem vergonha e no acabrunhamento de seu refúgio, na caverna duma legalidade formatada, que vem de longe no tempo, mas vem soprada de perto!

Aproveitou para, ao tocar com dedos cirúrgicos nas imensas veias abertas, para as quais as relações de submissão e vassalagem para com a hegemonia unipolar também Rajoy contribui, obrigar a comparar o incomparável: o exercício democrático tantas vezes exposto numa Venezuela Bolivariana, que Trump e Rajoy queriam subverter nas ruas e as ruas democráticas e populares de Barcelona, que Rajoy, o rei e alguns como Trump, ousam subverter!

O Presidente Maduro trouxe-nos outra lição em tempo oportuno, em “Todos somos Venezuela”: com Catalunha é toda a Espanha que estala sob o chicote de Rajoy e a União Europeia tem agora a oportunidade de expor a sua qualidade democrática, já que tem tanta dificuldade em entender, em tantas e tantas questões antropológicas, históricas e sociológicas, a nível de seu espaço e a nível de relacionamentos internacionais, a vontade popular!

Martinho Júnior | Luanda, 5 de outubro de 2017

Fotos:
1- Rajoy e el Rey… serão gémeos?... ;
2- República e independência emergindo das trevas;
3- Presidente Maduro com o dedo na ferida: quem é o “ditador”?... Todos somos Venezuela!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

EL GENERALISSIMO | Rajoy assevera que "não há mediação possível" com a Catalunha



Poucas horas depois do pedido de esclarecimentos ao Governo catalão, o presidente do Executivo espanhol reforçou a posição de Madrid, numa declaração ao início da tarde desta quarta-feira no Congresso dos Deputados. Mariano Rajoy voltou a acusar os líderes regionais de violarem a lei com um referendo que "viola a Constituição” e considera que “não há mediação possível” para a resolução da questão catalã. Quanto ao apelo ao diálogo, o chefe do Governo espanhol só se mostra disponível caso a Generalitat recue e se afaste do resultado do escrutínio de 1 de outubro.

Carles Puigdemont deixou em suspenso a declaração da independência da Catalunha de forma a permitir o diálogo, mas o líder do Governo espanhol recusa reconhecer os resultados do referendo e lembra que “não há mediação possível” nesta questão. 

Tal como havia feito de manhã após o Conselho de Ministros, Mariano Rajoy voltou a exigir um esclarecimento por parte do líder catalão, com o desejo “fervoroso” em que a resposta agrade a Madrid. 

“Pedimos ao Governo da Generalitat que confirme se declarou a independência da Catalunha, perante a confusão deliberada gerada ontem. A resposta que der Puigdemont marcará o futuro dos acontecimentos. Na sua mão está o regresso à normalidade”, declarou o responsável espanhol, perante a “escalada de radicalismo sem precedentes” na região.  

Após a reunião extraordinária desta quarta-feira, convocada imediatamente após a declaração de Carles Puigdemont ao Parlamento catalão, Mariano Rajoy esclareceu que as autoridades de Madrid estão prontas para suspender a autonomia da Catalunha, caso se verifique que a declaração do líder catalão pressuponha uma declaração unilateral de independência efetiva. 

Com esta declaração de Puigdemont em suspenso e com a incerteza perante a aplicação do artigo 155 da Constituição - algo que nunca havia sucedido nas últimas décadas - Rajoy considerou que a democracia espanhola “vive um dos momentos mais graves da sua história recente” e que os últimos acontecimentos “não têm nada a ver com as diferenças políticas que acontecem regularmente nos países democráticos e nas sociedades civilizadas”, considerando mesmo que o que aconteceu na Catalunha foi “um golpe ao Estado de Direito”. 

“Votar contra ou à margem da democracia não é democracia”, frisou. 

Voltou ainda a enumerar todos os elementos que, na sua perspetiva, impedem o Estado espanhol de reconhecer o referendo de 1 de outubro como um referendo efetivo, desde “censos irregulares” ou “mesas de voto sem garantias”. 

“A desordem e a saída de empresas da Catalunha são consequências da violação da lei. Quando falha a lei triunfa a arbitrariedade, abre-se o caminho para o abuso e desaparece a concórdia”, disse.  

"Atuamos como qualquer outro Estado"

Mariano Rajoy voltou também a lembrar que o referendo é ilegal, mas viola também “a Constituição, a unidade de Espanha e o próprio estatuto da Catalunha”. O escrutínio “fracassou em toda a linha” e nenhum resultado dele obtido “pode servir para legitimar a independência da Catalunha”.  

“O referendo foi o último episódio para impor uma independência que poucos querem e a ninguém convém”, completou o presidente do Governo espanhol. Foi, segundo o líder do Governo central, um plano “antidemocrático desde a sua origem, e também nos seus métodos e consequências”. 

Se o líder da Generalitat contou na terça-feira os últimos passos dados na Catalunha no sentido de intentar a independência, também Rajoy apresentou a sua versão dos factos recentes, lembrando o ano de 2012, quando Espanha se encontrava à beira de um resgate financeiro.
 
O chefe de Governo lembra que a Catalunha “não era exceção”, sendo mesmo uma das regiões de Espanha “que mais precisava de ajuda”.
 
“Não podem alegar que não se dialogou com eles (…) nem que não receberam apoio económico por parte do Governo”, asseverou Rajoy.
 
Desde esse ano, quando Artur Mas, o antigo líder do governo da Catalunha, pediu um referendo na Catalunha, se intensificou a tensão entre os responsáveis espanhóis e catalães. 

Segundo Rajoy, o conjunto de todos espanhóis “são os únicos competentes para decidir sobre a independência da Catalunha”. No entanto, e para conseguirem impor a sua vontade, os catalães “uns contra os outros, passar por cima de toda a deliberação que caracteriza um regime democrático”.

Por isso, o líder do Governo espanhol considera que Madrid “atuou como teria feito qualquer outro Estado democrático”, voltando a felicitar, como já fizera noutras ocasiões, a atuação polícia nacional. Mais uma vez, Rajoy fugiu aos números de feridos, reconhecendo no entanto que “ninguém pode ficar agradado com o que aconteceu a 1 de outubro”.

Rajoy aponta culpas para os responsáveis pela convocatória popular, que “organizaram grupos de ativistas”, à revelia do Tribunal Constitucional e da atuação das forças de segurança. 

Alterar a Constituição?

Na visão do governante, os independentistas são também culpados de um processo que levou a quebras de “40 por cento” no setor empresarial e no turismo. “É urgente regressar à legalidade, para que não haja mais deterioração económica e tensão social”, avisou Rajoy.

Puigdemont pediu ao Parlamento catalão para que estancasse o processo de independência desencadeado pelo referendo, dando tempo ao diálogo para um eventual acordo com o Governo espanhol. Mas à ambiguidade desta declaração – que Espanha procura ainda entender se foi ou não uma declaração de independência - chegou uma resposta também cambígua de Mariano Rajoy. 

“Sou um firme partidário do diálogo, mas devo avisar que não é possível aceitar a imposição unilateral de pontos de vista que uma das partes não pode aceitar”, avisou Rajoy. “Pode-se dialogar numa situação como esta, sem dúvida, pode-se melhorar o quadro de convivência, mas apenas no quadro das instituições existentes”, acrescentou.

Ou seja, o Governo espanhol continua a não aceitar uma das premissas com que Puigdemont avança para a negociação: a de que o referendo corresponde a uma vontade do povo catalão em separar-se de Espanha. 

Já esta tarde, em entrevista à CNN, o líder do Governo catalão mostrava-se disposto em iniciar um diálogo “sem condições prévias”. Mas mais uma vez, a dúvida fica por desfazer. Se por um lado, considera que o mais importante é sentarmo-nos e falarmos, aceitarmos que temos de falar”, por outro, Puigdemont pede a Espanha o “reconhecimento da realidade”. 

“A relação de Catalunha com Espanha já não funciona e há uma maioria de catalães que quer ver a Catalunha como um Estado independente. Mas queremos fazê-lo estando em acordo com o Governo espanhol”, disse o líder catalão, sem se desviar um milímetro das tomadas de posição recentes. 

E se o líder espanhol também apelou à mediação internacional para a resolução do conflito, Rajoy quis deixar claro que não há negociação possível sobre a titularidade da soberania nacional. 

“Isto é o que têm de ter em conta os mediadores que se ofereceram de boa vontade. Agradeço o interesse, mas não há mediação possível”, declarou o chefe do Governo espanhol, lembrando que “nenhuma Constituição europeia reconhece o direito à autodeterminação”, e por isso a independência da Catalunha “contraria todas as normas de Direito Internacional”. 

Rajoy rejeitou perentoriamente a “imposição de pontos de vista impossíveis de aceitar”, sob a aparência de um processo de diálogo.

“Não se pode negociar sobe a soberania do conjunto de Espanha e a indivisibilidade da Nação espanhola”, completou.

No entanto, o chefe do Governo espanhol reconheceu que se pode falar de uma reforma da própria Constituição a longo prazo. “Não é uma lei perfeita nem eterna e pode ser modificada”, considerou. 

Fazendo suas as palavras do Rei Felipe VI, Rajoy pediu uma Espanha “serena” e um fim rápido para este conflito que permita “recuperar a convivência” entre as duas partes. 

Aos catalães, o presidente de Governo garantiu que a Espanha “quer a Catalunha com a sua cultura, a sua língua própria, a sua maneira de ser”. 

Andreia Martins | RTP | Foto 1: Sergio Perez - Reuters | Foto 2: Fotomontagem em Outras Palavras

SANÇÕES, OU UM ISOLAMENTO PROGRESSIVO NO HORIZONTE?



Martinho Júnior | Luanda 

Os Estados Unidos continuam a tratar os outros em pleno século XXI, como trataram os autóctones das grandes pradarias do “oeste selvagem”, durante a expansão no século XIX (um dos holocaustos que marcaram as convulsões no berço da revolução industrial)!…

Em resultado disso, duma maneira compulsiva, ou por vontade própria, são cada vez mais os motivos para muitos estados, nações e povos abandonarem o dólar estado unidense como a moeda corrente para os negócios internacionais, avaliando outrossim a sua natureza perversa no sentido do domínio da aristocracia financeira mundial!

Impondo sanções à Venezuela Bolivariana, a administração republicana de Trump auto-inflinge-se dando mais um passo no isolamento dos Estados Unidos, provocando a reacção legítima dum estado que tem nas suas mãos a maior reserva de petróleo do globo e acabando por estimular o emparceiramento transcontinental entre as emergências que assumem a globalização multipolar, fora da órbitra neoliberal, ou da protecionista.

A Venezuela Bolivariana, integrando agora a emergência multipolar, vai resistir e levar por diante as políticas progressistas de ampla intervenção social desde os primeiros exercícios de estado do Comandante Hugo Chavez!

Face à convulsiva decrepitude dos Estados Unidos, protagonizada pelo actual exercício do presidente Donald Trump, não há volta a dar!

Martinho Júnior | Luanda, 30 de Setembro de 2017

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