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domingo, 20 de agosto de 2017

BRASIL | Lupicínio Rodrigues (1914 - 1974): compositor, boêmio e cronista



“Lupi, velho guerrilheiro da caixinha de fósforos” - Jornalista Paulo Santana (1939-2017)
                                        
Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite* | Porto Alegre | Brasil      

Em agosto de 2017, completam-se 43 anos da morte de um grande ícone da música brasileira: o gaúcho Lupicínio Rodrigues. Nascido, em Porto Alegre, na Ilhota, em uma noite chuvosa de 16 de setembro de 1914, ainda menino, fugia de casa para participar das rodas de samba que, com frequência, ali ocorriam. A antiga Ilhota se localizava nas atuais imediações do Estádio Tesourinha e do Centro Municipal de Cultura, constituindo-se num dos espaços mais importantes de resistência cultural do negro na capital gaúcha.
   
Lupi - como carinhosamente era chamado - exaltou, em suas canções, o amor com suas alegrias, sonhos, dores e desencantos, adentrando, com a precisão de um bisturi, nos mistérios da alma e do coração.
  
A Família

Sua primeira composição, aos 14 anos, chamava-se “Carnaval”. Esta foi encomendada pelo cordão ”Os Prediletos” que era oriundo da antiga Colônia Africana. Totalizando 21 filhos, Lupi foi o quarto filho e o primeiro varão do casal Francisco Rodrigues e Abigail. Embora não se adaptando a rotina escolar, completou o curso ginasial e aprendeu o ofício de mecânico.

As dificuldades financeiras levaram Lupi a exercer, desde cedo, várias atividades: baleiro, em frente do Cinema Garibaldi, entregador de pacotes na famosa Livraria do Globo, empurrador de roda de bonde na Cia. Carris e fazedor de parafusos na Fábrica de Cipriano Micheletto.  A sua paixão por música e pela vida boêmia fez com que seu pai o alistasse, aos 15 anos, no Exército, acreditando que estaria dando outro rumo à vida do filho.

O primeiro amor

Promovido a cabo, em 1933, transferiram-no para Santa Maria. Nesta cidade, Lupi conheceu a jovem Iná, que foi o primeiro e um dos seus grandes amor. Após cinco anos, o noivado foi desfeito, pois os pais da noiva não aprovaram o seu comportamento boêmio. Ao vê-la enamorada por outro, ele sentiu um desgosto profundo. Este sentimento de traição foi a força motriz, que o inspirou a compor canções de teor passional, consagrando-o como “O Rei da dor de cotovelo”.

No ano de 1935, deu baixa do Exército, retornando para Porto Alegre. De volta à capital, empregou-se como bedel na Faculdade de Direito da UFRGS. Reza a tradição de que, diante da monotonia de algumas aulas, os alunos preferiam ouvir as canções de Lupi a estudar. Ele costuma repetir que o amor era a causa de todos os seus males, aposentando-se, em 1947, devido à saúde debilitada.

BRASIL | Vivemos no país do faz de conta



Como caráter da cultura que desenvolvemos, não há como se ocultar que a cegueira eventual ou proposital em desprezar o lado da honra e mais virtudes na condução das normas atenta contra nossa natureza de racionais.

Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro | Correio do Brasil | opinião

Vamos fazer  de conta que temos honra. Fazer de conta que somos racionais. É inculcável o ânimo de toda a filosofia em dar aos princípios que nos conduzem a face que distingue o homem do animal. Tudo o que tange estudo de ética, mostra a intenção de perfeição e de pureza a nos presidir a convivência. Dentro desse escopo, Montesquieu deu nome a uma obra como o espírito das leis. Então, com estas, a dimensão que as coloca acima de uma retórica fria ou falha.

Isso posto, como caráter da cultura que desenvolvemos, não há como se ocultar que a cegueira eventual ou proposital em desprezar o lado da honra e mais virtudes na condução das normas atenta contra nossa natureza de racionais. Vem ao caso essa digressão por estarmos há dois anos em que houve o cometimento de um crime, que pende sem sequer reexame que lhe dê definição para se atribuir autoria ou mesmo enquadramento legal devido.

Quando se fez a encenação do golpe, planejado e dirigido por país estrangeiro, não faltaram artistas a servir (via dólares) para encenação. Assistimos aos beócios do senado dando continuidade à ridícula votação da Câmara. E tudo sob coordenação (ou ponto) do STF.  Foi uma enxurrada de ignomínias que cegou a todos que, surpresos, ficaram nesse estado de choque paralisante de quem sofreu um ataque ou acidente maior do que as forças que tinha para resistir.

PM da Guiné-Bissau mantém proibição de crianças talibés pedirem esmola



O primeiro-ministro guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse hoje que os pais devem ser sensíveis à questão dos talibés que andam a mendigar pela cidade e que mantém a proibição que impede aqueles estudantes do Corão de pedir esmola.

"Qualquer pessoa que é mãe ou pai tem de ser sensível a essa situação e não fazer política com este assunto", afirmou, em conferência de imprensa, Umaro Sissoco Embaló.

O primeiro-ministro guineense proibiu os talibés (crianças e jovens que estudam o Corão) de pedir esmola em Bissau.

"Para as crianças irem à escola e aprenderem há horas normais. Imaginem que enviam uma criança para a feira do Bandim pedir esmola entre as 06:00 e as 19:00, a que horas é que essa criança vai aprender ensinamentos corânicos?", questionou o primeiro-ministro.

Umaro Sissoco Embaló reforçou a sua posição com o facto de ser muçulmano, ter estudado em pequeno o Corão, e nunca ninguém o ter mandado pedir esmola.

"O Corão está traduzido em todas as línguas. Vão ver nesse livro se há algum parágrafo a dizer que os meninos têm de mendigar na rua", disse aos jornalistas.

Para o primeiro-ministro, as escolas corânicas são para transmitir conhecimento e os estudantes que as frequentam também vão à universidade.

"Eu gosto muito dos meus filhos e por isso é que vou proibir os filhos dos outros de andarem a pedir na rua", disse, acrescentando quem quiser ter uma escola para talibés tem de ter condições e pedir autorização.

O primeiro-ministro disse também que o "Governo tem de criar condições para haver escolas corânicas, associadas à escola oficial e na língua oficial que é o português".

"O que é grave é crianças inocentes andarem a pedir esmola. Como guineense isto toca-me", concluiu.

Lusa | em Diário de Notícias

CORRUPÇÃO E NEPOTISMO, DIZEM QUE ELE É… BESTIAL



Raul Diniz | opinião

MUDAR O PAÍS COM O ESSE MPLA AÍ!

Estamos na recta final das eleições se é que se pode chamar a essa confusão fraudulenta eleições. Porém outros desgastantes desafios nos esperam. O MPLA é o partido que sustenta a ditadura há mais de 4 décadas, contudo sabe-se que esse MPLA que por aí anda a mentir a torto e direito, é um partido eleitoralista profissionalizado em fraudar eleições, além de ser adepto do banditismo politico e igualmente ser o criador das organizações criminosas do colarinho branco que proliferam em toda extensão do território angolano, e não só. Daí é necessário ter atenção e cuidado redobrado.

Seria um milagre de grandes proporções se as promessas de mudar o país saídas da gargantona de João Lourenço ma pratica se realizassem. Tudo que esse general do regime diz não passam de falácias, que serve apenas para inibir e/ou embalar os distraídos que no MPLA, continuam a viver anestesiados de medo de perder privilégios.

Temos hoje a obrigação de rescrever a nossa história, mudar o rumo que o país leva, para bem do povo, que confiou a sua defesa em nossas mãos. Porém, é preciso entender, que apesar de termos chegado ao fim da dita campanha eleitoral, a caminha ainda não terminou, a peleja continua.

Temo que precisamos urgentemente de recarregar as baterias e continuar a luta até conseguirmos desatar o laço do passarinheiro e afugentar o espectro tortuoso da malignidade da ditadura. É verdade que o balanço de independência feitos com realismo é tremendamente deficitário. Só para clarear a situação uma pouco mais perceberemos que ao fim de 42 anos da nossa independência, apenas um partido este e esta no poder a cal e ferro.

Por mais bizarro que seja, essa é a nossa realidade, esses arautos da ditadura feitos democratas da noite para a madrugada têm a arrogância de afirmar terem nascido escolhidos para governar, os outros que se lixem.

Hoje em Angola todos temos a percepção real que a escolha do novo presidente não depende da vontade dos autóctones angolanos, essa eleição do general malandro do regime a muito foi cozinhado in sito no laboratório da casa de segurança do presidente da republica cessante.

ANGOLA: O "fantasma da guerra" como estratégia eleitoral



Após 15 anos de paz, MPLA ainda cita conflitos armados para justificar problemas que o Governo não conseguiu resolver. UNITA diz que a questão precisa ser discutida no Parlamento.

O "fantasma da guerra" foi despertado novamente em Angola, desta vez durante a campanha eleitoral.  O cabeça-de-lista do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), João Lourenço, disse que o conflito militar que durou quase 30 anos impediu que o Governo angolano resolvesse uma série de problemas.

O candidato do MPLA voltou a falar da guerra, após 15 anos de um acordo de paz, num dos seus discursos de campanha, na província do Bié.  João Lourenço, sem citar nomes, disse que o país chegou a ter uma indústria que gerava muitos postos de trabalho, mas foi destruída pelos opositores durante o conflito.

"Deixamos de ter indústria porque aqueles que hoje dizem que são democratas destruíram a indústria que Angola teve num passado recente. Mas, enquanto a missão de uns foi destruir, a nossa missão é construir".

Este discurso não é novo, diz a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o principal partido da oposição. Raúl Danda, vice-presidente do Galo Negro, minimiza as declarações do adversário de longa data e diz que a questão deve ser discutida no Parlamento.

Angola | CORRUPÇÃO E NEPOTISMO DIZEM QUE ELE É… BESTIAL



Após 38 anos como chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos vai ter direito, quando deixar o cargo, a imunidade, residência oficial e uma subvenção mensal vitalícia de 80% do salário base do Presidente da República. Coisa pouca num país que é dos mais corruptos do mundo, que lidera o ranking mundial da mortalidade infantil e que (só) tem 20 milhões de pobres.

Com as eleições gerais em Angola agendadas para o próximo dia 23, às quais José Eduardo dos Santos – que completa 75 anos cinco dias depois -, não se recandidata e nas quais foi substituído por uma marioneta por si escolhida (João Lourenço), a lei aprovada pela Assembleia Nacional, sobre o “Estatuto dos Antigos Presidentes da República de Angola”, foi publicada em Diário da República a 17 de Agosto.

No seu preâmbulo, a lei refere a necessidade de definir “os deveres e os direitos dos antigos Presidentes da República”, sendo certo que desde 1975 o país conheceu apenas dois chefes de Estado. O primeiro Presidente de Angola foi Agostinho Neto, cargo ocupado, após a sua morte, por José Eduardo dos Santos, em 1979.

A lei agora em vigor define que os antigos Presidentes da República gozam de tratamento protocolar “compatível com a dignidade das altas funções anteriormente desempenhadas” (certamente tendo no seu espírito o desempenho emérito no comando da corrupção) e que têm direito, nomeadamente, a gabinete de trabalho, oficial às ordens, escolta pessoal, protecção e segurança especial na residência, entre outros benefícios extensíveis ao cônjuge e aos descendentes e ascendentes de primeiro grau, como o passaporte diplomático.

A subvenção mensal vitalícia a que terá direito José Eduardo dos Santos, enquanto antigo Presidente, após as eleições do dia 23 e tomada de posse do novo chefe de Estado, corresponde a 80% do salário base do Presidente da República, que está fixado desde Junho último em 640.129,84 kwanzas (3.300 euros).

GOLPE DE ESTADO | PGR quer agir sobre o caso “Golpe-Financiador”



São Tomé e Príncipe

Um leitor do Téla Nón fez chegar por via digital à redacção do Jornal, uma nota de imprensa da Procuradoria-geral da República, e assinada pelo Procurador-geral Frederique Samba, dando conta que n sequência «de um vídeo publicado nas redes sociais por um cidadão de nacionalidade são-tomense, verifica-se que são dados detalhes sobre o eventual mandante do Golpe de Estado ocorrido aos 16 de Julho de 2003», lê-se na nota de imprensa.

A Procuradoria-geral da República, diz que agi não apenas com base na denúncia vídeo feita pelo cidadão nacional, mas também «acompanhado de informações de outros momentos, relativamente as instruções recebidas pelo autor do referido vídeo, para a prática de assassinato de algumas individualidades, incluindo antigos Presidentes da República e membro do Governo», acrescenta a nota da Procuradoria da República.

Diante dos factos, o Procurador-geral da República, diz na nota de imprensa que há necessidade de se apurar «sobre a eventual existência de crimes puníveis no âmbito da actual legislação penal, reportando ao momento das suas práticas e quem foram os seus agentes».

Por isso, conclui a nota que «foi desencadeado os autos de instrução preparatória registado sob o número 747/2017 que correm os seus termos nesta instituição».

Abel Veiga | Téla Nón

SANTO DE PAU CARUNCHOSO | Patrice: “Trata-se de pura simples e maldosa difamação”



São Tomé e Príncipe

O Primeiro-ministro reagiu na Rádio Nacional e na TVS, sobre as acusações de ter sido o mentor do Golpe de Estado de 16 de Julho do na 2003, e de ter ordenado aos operacionais do ex-Batalhão Búfalo, para executarem os ex-Presidente Manuel Pinto da Costa e Fradique de Menezes, assim como o ex-ministro da Defesa e Ordem Interna o coronel Óscar Sacramento e Sousa. «Eu apelei aos órgãos judiciais para tudo fazerem para trazerem essas pessoas para a justiça. Porque trata-se de pura, simples e maldosa difamação. Esse caso em particular é mais uma», declarou o Primeiro-ministro.

Face a tão grave acusação, Patrice Trovoada, disse à TVS e a Rádio Nacional, que está tranquilo, e que ao digerir tais acusações pensa nas famílias. «Eu penso na minha família, eu penso na famílias das outras pessoas que tentam me atingir, eu penso nas crianças inocentes que as vezes ouvem tantas coisas no nosso país», frisou.

O chefe do Governo, exige que a justiça esclareça o caso. «Pedi as autoridades judiciais de São Tomé e sul-africanas para agirem. Porque na África do Sul aquilo que esse senhor pretende dizer é um crime passível de pena maior. Então as autoridades judiciais que façam o trabalho o mais rapidamente possível e que as pessoas maldosas, irresponsáveis, ingratas, malucas talvez sejam chamadas a justiça para assumirem as suas responsabilidades. Eu não tenho mais nada a dizer quanto a isso», concluiu.

Abel Veiga ! Téla Nón

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CORRUPÇÃO EM MARCHA | Turismo seria usado para corrupção no sul de Moçambique



Em Vilankulo, na província de Inhambane, operadores turísticos montaram esquemas de fuga ao fisco, aponta relatório do CIP. Entre os suspeitos está um empresário sul-africano, dono de um "império" na vila.

Na vila turística de Vilankulo, na província de Inhambane, sul moçambicano, há uma "corrupção estrutural que afeta a medula das instituições". É uma acusação feita pelo Centro de Integridade Pública de Moçambique (CIP), que publicou recentemente um relatório sobre o assunto.

O CIP desconfia, por exemplo, que operadores turísticos, a maioria estrangeiros, montaram esquemas de fuga ao fisco. E aponta, em particular, o dedo a um empresário sul-africano: Steven McIntyre, dono de um "império empresarial" em Vilankulo, que inclui dois complexos turísticos.

O dinheiro que os hóspedes pagam pela estadia na vila seria depositado fora de Moçambique. E, segundo o pesquisador do CIP, Borges Nhamire, há dúvidas se os pagamentos são tributados no país.

BANDO DE SALAFRÁRIOS | CIP descobre mais dívidas do Governo moçambicano



Centro de Integridade Pública (CIP) acusa Governo moçambicano de continuar a contrair empréstimos "sem nenhuma transparência" após escândalo das dívidas ocultas.

Numa análise intitulada "Governo continua a contrair empréstimos sem nenhuma transparência", o Centro de Integridade Pública de Moçambique (CIP) acusa o Governo de ter contraído empréstimos sem o conhecimento do Parlamento, entre 2015 e 2016. 

O relatório publicado na terça-feira (15.08) pela organização não-governamental refere que as autoridades moçambicanas contraíram uma dívida de 4,4 mil milhões de meticais (61 milhões de euros) a favor da Administração Nacional de Estradas (ANE) e de 3,1 mil milhões de meticais (43 milhões de euros) para o Porto de Pesca da Beira, junto do EximBank da China.

O CIP afirma que chegou a esta conclusão ao comparar a Conta Geral do Estado de 2016 (CGE) com o Relatório de Execução Orçamental (REO) do mesmo ano, ambos publicados no portal da Direção Nacional do Orçamento do Ministério da Economia e Finanças.

"Como em anos anteriores, as cifras orçamentais realizadas na CGE diferem das do REO. É natural que haja algumas divergências nos documentos, uma vez que a CGE apresenta uma análise mais consolidada das contas públicas", lê-se na análise do CIP.

sábado, 19 de agosto de 2017

PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS NA LUTA PELA INDEPENDÊNCIA DE TIMOR-LESTE



Parabéns aos bravos da FALINTIL e a todas as crianças que contribuíram para proteger a vida da FALINTIL

Aquelina Pereira * | Díli

Em 20 de agosto, é a comemoração do dia da FALINTIL (42 anos), este breve artigo reflete a participação ativa das crianças na luta pela independência de Timor-Leste. O envolvimento das crianças na frente de resistência teve um enorme contributo que não devemos esquecer como pessoas e nação. Portanto, neste dia histórico, felicitamos a FALINTIL e recomendamos aos timorenses que ajam como um todo e saúdem também os combatentes-crianças.

A partir de 1975, um número incontável de timorenses visava a independência, onde praticamente todos, desde crianças até adultos, se levantam contra a invasão do exército indonésio. Durante a ocupação, o povo timorense viveu totalmente na escuridão. De uma pequena porção de timorenses que foram educados, alguns foram infelizmente utilizados pelos invasores para dividir as pessoas e governar. No entanto, através da convergência política, os nacionalistas timorenses unificaram suas forças para resistir à invasão.

Pessoalmente, gostaria de compartilhar uma história sobre o envolvimento das crianças durante a nossa longa luta pela independência. Em um momento tão difícil, muitas crianças proporcionaram contribuição crucial e até mesmo ofereceram as suas próprias vidas pela liberdade do país. Inúmeras crianças foram mortas no mato ou em áreas urbanas, ao mesmo tempo que contribuíam com tarefas críticas em apoio de FALINTIL. Muitos deles também desapareceram e, até agora, o paradeiro é desconcertantemente desconhecido. A extensão da prática dessas obras aconteceu com séria dificuldade, pois exigiam bravura, sofrimento e morte. Quando ouvimos falar de destinos infelizes de nossos amigos que acabaram nas mãos de nossos inimigos e foram brutalmente torturados e mortos, ficamos muito aterrorizados. No entanto, isso não diminuiu a nossa coragem e vontade de continuar o nosso serviço como parte integrante da resistência timorense contra a ocupação ilegal de Timor-Leste pela Indonésia.

Muitas crianças timorenses trabalharam com as FALINTIL, bem como com a rede clandestina. Essas crianças desempenharam papéis fundamentais, particularmente servindo como ouvidos e olhos da rede FALINTIL, indo clandestinamente observar de perto todo o movimento do exército indonésio e seus colaboradores. Nas áreas rurais, as crianças assumiram os papéis como mensageiros que eram vitais em termos de ponte sobre o movimento clandestino e a FALINTIL. Por exemplo, muitas crianças e eu estávamos em contato direto com a FALINTIL como mensageiros, especialmente no fornecimento de informações importantes, bem como materiais para a FALINTIL. Nos momentos difíceis, quando o exército indonésio teve uma supervisão cuidadosa de atividades suspeitas de jovens e adultos, as crianças eram a alternativa viável para realizar ou transmitir qualquer mensagem da hierarquia da FALINTIL. Até certo ponto, este processo contribuiu significativamente para o nosso desenvolvimento como nacionalistas e revolucionários. Além disso, não só substituímos os papéis dos adultos, como muitos de nós também conseguimos organizar outros timorenses para se envolverem no movimento de resistência. Isso foi feito através da criação de vários grupos que se tornaram um coração de circulação de informações chave para a FALINTIL, frente clandestina e diplomática.

Como membro da OSF (Organisasão da Sagrada Família) - um núcleo de reserva da FALINTIL, embora em uma idade muito jovem, eu estava com um comandante FALINTIL, Eli Foho Rai Boot, conhecido como L-7 - que é o pai fundador de OSF. Nós principalmente realizámos o trabalho da organização nas áreas urbanas, o que foi extremamente difícil, já que a maioria das atividades foi observada de perto pelo exército indonésio e seu colaboradores. Apesar de tantas dificuldades, conseguimos mobilizar as nossas companheiras, jovens e velhas para participar ativamente na luta pela independência.

Em muitos casos, muitas garotas se ofereceram ao inimigo num esforço para desviar a sua atenção, para salvar a vida dos FALINTIL que estavam em perigo. Tal é um fato que dificilmente pode ser acreditado por muitas pessoas de hoje. Muitas meninas se sacrificaram em conformidade com a ordem dos comandantes da FALINTIL, que diziam: "você deve cuidar de nós, de outra forma, nossa morte significaria que você será abandonado quando nossa independência for criada". Há muitos outros fatos que não mencionei neste breve artigo. No entanto, dezenas de incidentes são abordados no relatório da CAVR - "Chega"! Sugiro que todos, incluindo políticos atuais, se dirijam ao referido relatório. Além disso, os eventos também podem ser confirmados com várias vítimas que sofreram consideráveis ​​consequências na luta pela independência.

Essas crianças são todas crescidas agora e muitos se tornaram pais de muitas crianças. Infelizmente, os seus sacrifícios passados ​​não são reconhecidos e nem mesmo uma breve menção é feita em qualquer evento histórico do país. Hoje, muitos de nós vivemos em miséria devido ao nosso conhecimento limitado e também devido ao atual sistema discriminatório que nos marginalizou mesmo que possamos possuir a mesma habilidade que qualquer um. É justo se também afirmamos que temos nossos direitos? O estado que defendemos persistentemente e contribuímos para a sua formação pode dar justiça às nossas vidas como seres humanos? Durante a luta, muitas das nossas famílias viveram em graves ameaças; Eles foram negados de qualquer possibilidade de desenvolvimento económico que os ajudaria a desenvolver um futuro melhor. As bolsas atuais são muitas vezes submetidas a critérios rigorosos sem se considerar qualquer condição especial. Em nossa desvantagem, obviamente, é uma tentativa contínua de nos manter atrasados. Além disso, a prevalente presença de corrupção nas bolsas de estudo geralmente promove apenas famílias e amigos da liderança. Nossos direitos são continuamente negados, semelhantes aos nossos avós durante o período do colonialismo. Exigimos um tratamento justo. Isso é porque queremos contribuir continuamente para a libertação do nosso povo, especialmente para promover a justiça de forma socioeconómica e cultural.

Com este artigo inestimável, apelamos aos líderes deste país que não nos negem como crianças anteriores que contribuíram significativamente durante o período de ocupação indonésia de 24 anos. Precisamos ser considerados combatentes do nosso país. Durante a luta, nossos guardiães eram os comandantes da FALINTIL que estavam na linha de frente durante a resistência. Infelizmente, na era pós-independência, perdemos esses guardiães. Os protocolos de segurança mais o acesso estrito à sua residência dificultaram o contato com eles. Lamentavelmente, muitos deles cooperam mesmo com os oportunistas para nos impedir de acessar a qualquer oportunidade. No entanto, vale a pena mencionar que alguns deles ainda estão dispostos a defender os direitos e o interesse das pessoas comuns.

Durante a nossa longa luta, não foram apenas os adultos que sofreram e morreram por este país; Não só os educados, mas também os pobres agricultores e pastores que, desinteressadamente, fizeram uma enorme contribuição em termos de apoio à FALINTIL e ao movimento clandestino. O estado deve homenagear a nossa contribuição e os combatentes infantis também devem ser convidados particularmente em eventos históricos do país. Isso reconhecerá a nossa dedicação, sacrifício e também fortalecer a nossa coragem para incutir valores tão importantes para a geração jovem.

Embora este artigo possa conter reclamações extensas, o principal objetivo é encorajar os combatentes que eram crianças a continuar o desenvolvimento de Timor-Leste como um trabalho compartilhado porque este país nasceu da nossa persistente luta, sofrimento e mortes. Não devemos deixar este país ser governado apenas pelos políticos de elite, mas sim por todos nós, incluindo a nova geração. Precisamos de lutar pela justiça social e económica para todos os cidadãos.

Nós libertámos o país! Deixem-nos libertar as pessoas.

A luta continua!

* Aquelina Imaculada Pereira, ho naran rezisténsia "Peregrina"

*Em colaboração com
Celestino Gusmão
Prof. Antero Benedito da Silva

- Tradução para português por Timor Agora




ASTANA VERSUS HAMBURGO



Martinho Júnior | Luanda

No momento em que em Astana uma emergência progressista com uma geoestratégia que busca equilíbrio para o século XXI ganha expressão e impulso, Hamburgo expõe-se como uma decrepitude bárbara, vassala e feudal que já a ninguém consegue iludir, ao esconder-se no rótulo estafado de auto proclamada “civilização judaico-cristã ocidental” 

1- Pode ainda não significar que à barbárie exposta no “Grupo dos 20” a humanidade conseguiu encontrar um paradigma justo e sustentável de civilização ajustado à “Organização da Conferência de Xangai”, como é óbvio e se tivermos em conta quanto a revolução industrial e a nova revolução tecnológica, tocadas pelas contradições infindáveis do capitalismo, têm sido desequilíbrio e desrespeito para com a humanidade e para com o planeta…

Pode ainda não significar que a humanidade deixou de dar prioridade a políticas de armamento, ao invés de garantir paz, equilíbrio, alimentação, educação, saúde e lar para todos os humanos, garantindo simultaneamente respeito para com sua própria e tão mal cuidada “casa comum”…

Pode ainda não acontecer que a civilização seja efectivamente sustentável, como acontece quando se esgotam em 7 meses os recursos que, arrancados à Terra, se deveriam esgotar num ano!...

Todavia em Astana vislumbra-se uma luz ao fundo do túnel, enquanto em Hamburgo as chamas do inferno estiveram presentes nas ruas como nos salões de contingência.

2- Em Astana gigantes que são potências nucleares emergentes e têm diferendos que se arrastam, como a Índia e o Paquistão, procuram formas de integração num universo multipolar empenhando-se em processos modernos capazes de buscar um patamar saudável de relacionamentos no interesse comum, cultivando as potencialidades duma exponencial “rota da seda”, ou uma nova fórmula de “ganha-ganha” conforme à expressão descomplexada do presidente chinês, Xi Jimping.

Em Hamburgo, num “G-20” preso à hegemonia unipolar, as contradições foram explícitas em relação ao clima (com a renúncia ao Acordo de Paris por parte da administração republicana de Donald Trump, recém inaugurada), como até à extensão da presença militar sob a bandeira dos Estados Unidos e da NATO em três mares (Báltico, Mediterrâneo e Mar Negro), por causa do gaz que a aristocracia financeira mundial procura vender aos vassalos da Europa por preços superiores aos praticados pela vizinha Rússia!

A projecção duma emergência euro-asiática a caminho do fomento de relacionamentos muito mais saudáveis entre os estados, as nações e os povos, esteve neste ano de 2017, face a face com a barbárie institucionalizada a coberto da “civilização judaico-cristã ocidental”… e as obras, como as práticas respondem e afirmam o carácter de ambas as iniociativas!

3- A China, a Rússia e a Índia, presentes em Astana como em Hamburgo, tiveram o privilégio e a oportunidade de ver a direcção dos seus respectivos estados ser os únicos a poder melhor balancear as opções ao nível das principais potências económicas globais numa via de inclusão, enquanto os componentes da “civilização judaico-cristã ocidental” (ao nível da presença no “G-20”) continuam-se a excluir, ao manterem os cânones de domínio quanto de vassalagem, nos enredos de corrente fluência até nos relacionamentos “in”.

É evidente que o conteúdo das duas mensagens, uma com raiz em Astana, a outra com raiz em Hamburgo, não passaram despercebidas aos observadores mais atentos, onde quer que eles estejam e, para África e América Latina, houve também a possibilidade de melhor entender, de balancear e de discorrer sobre as opções a tomar.

4- Para Angola, ávida de paz e em época eleitoral, não podem passar despercebidas Astana quanto Hamburgo, nem a contradição entre ambas (o que é da emergência multipolar com geoestratégia virada a ocidente, destino da “tota da seda” e o que é da hegemonia unipolar minada por contradições intestinas sob a ponta dos fusis) por que o balanço é muito importante para se optar e decidir no presente quanto no futuro: a longa luta contra o subdesenvolvimento, apesar das nuvens tenebrosas do capitalismo neoliberal e o cortejo de choque e terapia, decorre neste século XXI na tentativa do país poder ser resgatado de trevas e sequelas de barbárie que se arrastam do passado, mas estando no presente, há que saber evitar o muito que se há a evitar e enquadrar o “ganha-ganha” capaz de conferir outra dimensão civilizacional.

Entre as contradições seculares (práticas de conspiração), que conduzem ao saque e as obras estruturais em função das matérias-primas, qual a melhor opção a tomar?...

Também para Angola o balanço é entre barbárie e civilização, aprendendo com as contradições resultantes da experiência histórica e antropológica, em especial com a contradição a Savimbi, promovido a “freedom fighter” pelo neoliberalismo que a administração de Ronald Reagan estreou nos Estados Unidos…

Para Angola, Savimbi enquanto “freedom fighter” foi a “somalizadora” entidade que concentrou a mais bárbara das expressões e tão mau uso fez do conhecimento sobre o relacionamentos dos factores físico-geográfico-ambientais, com os factores de ordem humana no seu próprio país, tanto quanto nos vizinhos (ao nível de toda a região).

Aquilo que Savimbi não realizou em 1992 em função da sua decisão de partir para a “guerra dos diamantes de sangue”, sabemo-lo hoje que Samakuva e Chivukuvuku vão tentar realizar finalmente em função do voto, todavia, nem mesmo assim eles deixaram de representar as opções de risco na direcção do saque!

À barbárie pertencem as tensões, os conflitos e as guerras, à civilização está aberta a longa trilha da lógica com sentido de vida alimentada com uma possível geoestratégia de desenvolvimento sustentável e um inevitável combate à corrupção!

Aqueles que fomentam a corrupção e os ambientes sócio-políticos em que se movem Chivukuvuku, Samakuva e os aficionados de Gene Sharp, são as duas faces da mesma moeda, utilizada pelos grandes mestres da ingerência e da manipulação: o engenho e a arte dos procedimentos contraditórios, típicos do domínio da aristocracia financeira mundial!

Fotos e figuras:
- Símbolo da Organização de Cooperação de Xangai;
- O “G-8” de Astana representa o peso Euroasiático na conjuntura global, mais uma “complicação” no “inferno de Hamburgo”;
- Ângela Merkel no “G-20”, entre o “cacete” de Trump e a “cenoura” de Putin: “quo vadis” desamparada Merkel?;

Relações EUA-Rússia destinadas a uma viragem incrível



M K Bhadrakumar

A crise ucraniana – e as relações russo-americanas – atingem um ponto de inflexão com a avaliação feita pelo International Institute of Strategic Studies (IISS), em Londres, de que o salto dramático da Coreia do Norte em capacidade de mísseis balísticos é atribuível à sua aquisição clandestina de uma tecnologia da era soviética que está disponível numa fábrica próxima da linha fronteiriça da zona de guerra do Donbass, perto da região separatista mantida por apoiantes da Rússia. O IISS assinala que o míssil Hwasong-14 da Coreia do Norte, testado pela primeira vez, duas vezes, no mês passado significa um salto incrível em tecnologia que é simplesmente inconcebível para o engenho humano – isto é, a menos que Pyongyang tivesse acesso a tecnologia estrangeira de uma potência estabelecida nos mísseis.

Entretanto, o relatório do IISS diz:
O motor testado pela Coreia do Norte não se parece fisicamente a qualquer LPE (Liquid Propellent Engine) fabricado pelos EUA, França, China, Japão, Índia ou Irão. Nem tão pouco qualquer destes países produz um motor que utilize propelentes armazenáveis e gerem o empuxo proporcionado pelo Hwasong 12 e 14 LPE. Isto deixa a antiga União Soviética como fonte mais provável.

Poderia ter havido transferências clandestinas dos motores a partir ou da Rússia ou da Ucrânia com o conhecimento das autoridades locais – ou mais provavelmente poderia ter havido contrabando clandestino pela máfia das fábricas que são mal guardadas. A máfia é activa tanto na Rússia como na Ucrânia. O IISS inclina-se a apontar o dedo à fábrica na Ucrânia (conhecida como Yuzhnoye, a qual tem instalações em Dnipropetrovsk e Pavlograd) e tem estado nas ruas da amargura desde 2006, quando a Rússia deixou de comprar a esta parte da cadeia de fornecimento da era soviética e assim a fábrica, outrora louvada, cerca de 2015 chegou à beira do colapso financeiro. Citando o IISS: 

O número total de motores RD-250 (para foguetes) fabricados na Rússia e na Ucrânia é desconhecido. Entretanto, quase certamente há centenas, se não mais, de peças sobressalentes armazenadas nas instalações da KB Yuzhhoye e em armazéns na Rússia. Uma pequena equipe de empregados insatisfeitos ou guardas mal pagos em qualquer dos sítios de armazenagem... podia ser atraído para roubar umas poucas dúzias de motores para um dos muitos traficantes de armas ilícitas, redes criminosas ou contrabandistas internacionais a operarem na antiga União Soviética. Os motores (com menos de dois metros de altura e um metro de largura) podem ser transportados de avião ou, mais provavelmente, de comboio através da Rússia até a Coreia do Norte. Pyongyang tem muitas conexões na Rússia... Sabe-se que agentes norte-coreanos à procura de tecnologia míssil também operam na Ucrânia... Hoje, as instalações (ucranianas) de Yuzhonoye estão próximas das linhas de fronteira do território secessionista sob controle russo. Claramente, não há escassez de rotas potenciais através das quais a Coreia do Norte pode ter adquirido as poucas dúzias de motores RD-250 que seriam necessárias para um programa ICBM.

Terrorismo | SE QUEREM FAZER JUSTIÇA FAÇAM-NO SOBRE OS VERDADEIROS RESPONSÁVEIS



O terrorismo tem mil caras além do Daesh e do ocidente

Mário Motta, Lisboa

As ações terroristas destes últimos dois dias na Europa causaram pelo menos 16 mortos e cerca de 140 feridos. 14 em Barcelona e 2 em Turku, na Finlândia faleceram. Teme-se que dos feridos ainda alguns possam falecer devido aos seus estados críticos. Dos mortos em Barcelona há duas mulheres portuguesas a registar. Eram familiares que passeavam em La Rambla e tinham acabado de chegar para uma estadia turística. Avó e neta, com 74 e 20 anos, respetivamente.

Estes ataques terroristas de desvairados radicais já atingiram fisicamente imensos elementos dos povos europeus e psicologicamente afetaram muitos milhares deles. O autor é o Isis ou Daesh, que reivindica as ações cobardes como se fossem verdadeiras vitórias contra “os infiéis”. Um asco de mentalidades criminosas a coberto de uma espécie de bíblia sebenta e deturpada que nada tem que ver com o corão (de acordo com os entendidos) nem convicções de religiosidades. O que se vê é um ódio exacerbado e injustificado contra gente de povos que só querem viver em paz e à sua maneira. São gentes inocentes longe das responsabilidades dos que decidem fazer do Médio Oriente um campo de guerra, de morticínio de também inocentes que perecem sobre o pretexto e alegações de altos responsáveis ocidentais, civis e militares, políticos e da alta finança que classificam as mortandades naquele campo de guerra sem quartel de “danos colaterais” e não de terrorismo puro e duro sob formas sofisticadas nos armamentos usados.

Perante tais comprovadas responsabilidades dos ocidentais que decidem as matanças no Médio Oriente o Isis, o Daesh (que faz o mesmo), toma por inimigos gentes de povos pacíficos e abate-os, estropia-os, aterroriza-os, em vez de procurar atingir os verdadeiros inimigos, os altos responsáveis ocidentais que pululam nos EUA, no Reino Unido, na Alemanha ou em França, por exemplo. Principais potências que no Médio Oriente causam ocupações, guerras, mortandades. Existem esses altos responsáveis, bem guardados, protegidos por exércitos, protegidos pela alta-finança a quem servem, e são esses os inimigos dos povos do Médio Oriente e de outras zonas do mundo.

São exatamente esses, um por um, que devem ser afrontados pelas suas decisões e responsabilidades nos atos criminosos contra as populações e interesses de propriedade dos países do Médio Oriente. São esses, e só esses, que devem ser julgados pelas leis dos países e povos que afetam. Não um qualquer cidadão europeu ou de outras regiões do mundo, incluindo os EUA, que em nada tem responsabilidades sobre o que políticos, alta finança e generais decidem criminosamente contra os povos, as soberanias legítimas e os interesses capitais de petróleo e outros bens do subsolo ou geoestratégicos.

Disse o rei de Espanha que “não temos medo, não teremos medo” (do terrorismo). Muitos outros altos responsáveis o dizem. Pois claro que não têm medo porque sabem que estão bem protegidos e que são os povos que lhes pagam a proteção (chupistas). Depois os povos vão atrás desses ditos pseudo-corajosos e também dizem “não temos medo”… Claro que têm medo, pelos familiares, pelos filhos, por eles próprios. Temem ser vítimas de algum ataque terrorista, ainda mais sabendo-se inocentes e que um qualquer fanático o pode indiscriminadamente liquidar.

Era importante que essas elites que compõem o terrorismo decidissem fazer justiça contra os que devem fazer e não indiscriminadamente, cobardemente, contra gentes dos povos ocidentais ou outros que vivem do seu trabalho, que também eles são explorados e tantas vezes oprimidos, que só querem viver em paz, de acordo com as suas culturas e beneficiarem – quando podem – de alguns momentos de lazer.

É caso para dizer que se querem fazer justiça, mesmo justiça, façam-no sobre os verdadeiros responsáveis. Visando esses e só esses. E isso deve servir para todo o tipo de terrorismo - que tem mil caras, para além do do Daesh e do ocidente. Poupem-se, justamente, os povos inocentes. Vivam e deixem viver.

TERRORISMO | Confirmada morte de segunda portuguesa em ataque de Barcelona



Vítima tinha 20 anos de idade

A jovem portuguesa que chegou a ser dada como desaparecida está entre as vítimas mortais do ataque perpetrado em Barcelona, na passada quinta-feira.

O primeiro-ministro António Costa admitiu, à margem de declarações sobre o trabalho da Proteção Civil que "já está confirmada" a morte da segunda vítima portuguesa, confirmação essa que terá sido dada pelo secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.

Entre as vítimas mortais estava já uma portuguesa, de 74 anos, residente em Lisboa. Esta cidadã estaria na Catalunha como turista na companhia da neta, a jovem portuguesa que foi agora confirmada como uma das vítimas mortais.

Até ao momento há 14 mortos confirmados e mais de 130 feridos, incluindo 17 pessoas em estado considerado grave. Ao todo há 35 nacionalidades diferentes entre as vítimas diretas do ataque.

Após o atropelamento de várias pessoas nas Ramblas, em Barcelona, também na marginal de Cambrils houve um ataque semelhante, que terminou com os suspeitos a serem abatidos após tiroteio com a polícia.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Finalmente | NOVO GOVERNO TIMORENSE TOMA POSSE PARA A SEMANA



Após quase um mês de se conhecer os resultados oficiais das eleições legislativas timorenses – em que a Fretilin foi a mais votada - parece que os partidos políticos chegaram ao consenso de se comprometerem a formar uma coligação governamental ou a aprovarem o governo no parlamento em conformidade com o programa negociado.

Sabe-se que a Fretilin conseguiu a integração no governo do partido liderado por Taur Matan Ruak, o PLP, e que logo após ter sido apurada a vitória do partido de Alkatiri o Khunto anunciou o seu apoio à formação de governo em coligação. Assim, entre os três partidos estará assegurada a maioria de deputados no parlamento. Fretilin 23, PLP 8, Khunto 5. Num total de 65 parlamentares a Assembleia Nacional conta com a maioria dos partidos coligados, 36 deputados.

Apesar destas contas da comprovada maioria da coligação foi ponto de honra dos responsáveis da Fretilin contar com o apoio de todos os partidos, numa espécie de governo de consenso nacional. Com esse objetivo Mari Alkatiri tem vindo a insistir no modelo. Aparentemente foi o que conseguiu.

O partido de Xanana Gusmão tem sido o mais renitente em aceitar a derrota e a vitória escassa da Fretilin, pautando-se por criar dificuldades com dissimuladas discordâncias relativas ao modelo governativo. Perante os resultados afirmou-se logo da oposição, notório fruto do ressabiamento e choque por ter sido preterido para segundo plano pelos eleitores, que ao contrário de anteriormente deram a vantagem eleitoral à Fretilin por mais mil votos e mais um deputado, para além de também terem preferido o PLP e o Khunto. A perder saíram os partidos que mais têm governado Timor-Leste, o CNRT e o PD (Partido Democrático).

Será no decorrer da semana que vem que decerto haverá governo em Timor-Leste por via da escolha do eleitorado timorense. Entretanto o CNRT de Xanana Gusmão engoliu um pouco do seu orgulho ferido e declara que apesar de ser oposição poderá apoiar o governo de coligação… O que é muito pouco no dito se considerarmos que Xanana Gusmão é useiro e vezeiro na particularidade de criar crises, instabilidades e duradouras manipulações para tirar vantagens que lhe possibilitem continuar no pódio da governação – como tem acontecido ao longo dos anos de independência de Timor-Leste.

Atualmente importa acreditar que tudo vai acontecer positivamente e em prol dos reais interesses dos timorenses, em prol da estabilidade que o país tem tido, principalmente neste últimos anos. Assim aconteça.

A seguir, se continuar a ler, ficará a saber o que diz o CNRT de Xanana ao governo de coligação. Também o PD tem a sua palavra empenhada em afirmar que “vai ajudar a viabilizar o próximo Governo”. Sejamos otimistas e esperemos que os interesses pessoais e partidários de uns quantos não se sobreponham aos interesses em falta, prementes e efetivos dos timorenses, principalmente dos mais carenciados, dos que deixaram de acreditar em tudo que promete Xanana Gusmão. A penalização infligida ao CNRT também assim o demonstrou.

MM = AV | Página Global

MOÇAMBIQUE | O povo precisa de um Governo mais humano



@Verdade | Editorial

A seriedade de um pais vê-se em pequenas coisas, sobretudo na capacidade do Governo dar respostas aos problemas pontuais da sua população, tais como o acesso à saúde, educação, entre outros serviços básicos. Mas o que se assiste no nosso país é uma situação verdadeiramente clamorosa e preocupante. Não se justifica que, em 42 anos de independência nacional, os moçambicanos continuem a viver como indigentes e morrerem por falta de assistência médica e medicamentosa.

Aproximadamente 50 porcento da população moçambicana continua a consumir água imprópria e a situação é mais crítica nas zonas rurais. A população tem recorrido aos rios e riachos para beber, apesar de a construção de uma fonte de água não ultrapassar um milhão de meticais. Aliado a isso, está o problema relacionado com a falta de saneamento do meio. Todos os anos, centenas de moçambicanos morrem por causa de doenças hídricas, situação essa que se pode evitar, mas o Governo prefere investir em viaturas para este e aquele ministro ou deputado.

Diante essa dura realidade, o Governo pouco ou quase nada faz para reverter essa preocupante situação que coloca o país num dos piores países para se viver. Pelo contrário, continua hipotecar o futuro do povo, colocando- o numa situação de indigência.

Como se isso não bastasse, Moçambique é também um dos piores países para as pessoas de terceira idade viverem. É vergonhoso para um país que se diz sério, quando situações dessa natureza acontecem. Esses factos revelam claramente que, nos últimos 42 anos, o Governo da Frelimo não se preocupou em dar dignidade a vida dos moçambicanos. Têm sido 42 anos de pseudo-políticas que empurram o país para um situação insustentável, através de endividamentos ocultos e as suas actividades sem impacto visível na vida dos moçambicanos. Não obstante o país dispor de inúmeros recursos naturais, a condição de vida dos moçambicanos tende a deteriorar-se a cada dia que passa, devido ao Governo da Frelimo que se tem mostrado incompetente, apático e insensível relativamente ao sofrimento de milhões de moçambicanos.

Um dos revoltantes e bizarros exemplos da falta de compaixão e respeito para com o povo é a realidade que se vive no distrito de Moma, na província de Nampula. Nessa parcela do país, o hospital rural não possui meios circulantes, com destaque de ambulância para a transferência de pacientes, e, como consequência disso, pelo menos uma pessoa já perdeu a vida.

Não se pode esperar o desenvolvimento do país e melhoria na qualidade de vida quando, todos os dias, moçambicanos morrem por falta de serviços básicos que o Governo tem a obrigação de prover.

Votar perto de casa não é para todos em Angola



Alguns eleitores na Huíla não poderão votar perto de casa. Fizeram o registo eleitoral na província no sul de Angola, mas muitos foram colocados em assembleias de voto a milhares de quilómetros. CNE confirma reclamações.

Rosa Filipe atualizou o registo eleitoral na província da Huíla e, por isso, estava à espera de ir votar numa assembleia próxima da sua residência. Mas ficou preocupada quando percebeu que viu que a 23 de agosto terá de ir votar à província do Uíge, no interior-norte, e não tem condições para ir até lá.

"É difícil. Para além de ser muito distante, estou a passar por dificuldades financeiras. Então, não vai dar para lá ir", lamenta a eleitora.

Além de Rosa Filipe, estima-se que, pelo menos, 50 eleitores na província da Huíla tenham sido colocados em assembleias afastadas das suas casas.

Francisco António também fez o registo eleitoral na cidade do Lubango, na Huíla, mas ficou surpreendido quando o seu nome apareceu numa assembleia na província de Cabinda, a cerca de dois mil quilómetros de distância.

Francisco António, que não vai votar por não ter dinheiro para ir até Cabinda, sublinha que o seu direito ao voto está a ser violado. "É um dever do cidadão votar, mas também é um dever do Estado proporcionar condições para que o cidadão vote [próximo de] onde vive. Sinto-me mal, porque, neste caso, nem cidadão sou", afirma.

Reclamações na CNE

Têm chegado à Comissão Nacional Eleitoral (CNE) várias reclamações de eleitores que "viram a sua pretensão de votar numa determinada localidade não concretizada na Huíla", confirma o porta-voz Longa Paquete.

"Preocupa-nos saber que há eleitores que, por algum motivo que temos depois de estudar internamente,  terão sido deslocados de determinadas localidades  para onde deviam exercer o seu direito de voto para outras", afirma o porta-voz. Ainda assim, a Comissão Eleitoral diz não será possível resolver o problema antes das eleições da próxima quarta-feira.

Na semana passada, depois de dúvidas levantadas pela oposição sobre uma alegada transferência de eleitores para mesas de voto distantes da área de registo, a CNE informou que a indicação do ponto de referência dado pelos eleitores no ato de registo eleitoral não determinava a sua assembleia de voto.

A CNE constituiu 12.512 assembleias de voto, que incluem 25.873 mesas de voto por todo o país, com o escrutínio centralizado nas capitais de província e em Luanda.

Lusa | Deutsche Welle

ANGOLA | As eleições e os partidos políticos



Na próxima semana, os angolanos vão uma vez mais às urnas para elegerem os governantes que hão-de exercer o poder até 2022.

Jornal de Angola | opinião


Faltam poucos dias para o pleito eleitoral, um acontecimento que tem a particularidade de o partido no poder, o MPLA, apresentar um novo candidato a Presidente da República, João Lourenço, um experimentado quadro da formação política que governa o nosso país desde a nossa a Independência, e que soube, com sabedoria e coragem, contornar inúmeros obstáculos para preservar a unidade e a soberania nacional, um feito que entrou definitivamente na história de resistência do povo de Angola.

Institucionalizado o Estado Democrático de Direito nos anos 90 do século passado, os angolanos passaram a realizar eleições multipartidárias para escolha dos seus governantes, as quais têm sido geralmente marcadas por uma adesão massiva dos eleitores às urnas, o que mostra que tem havido no país um grande interesse dos cidadãos pela vida politica e uma vontade de nela participar, fazendo no momento do voto as suas opções.

 A 23 de Agosto de 2017, o povo angolano vai exercer novamente a soberania através do sufrágio universal, livre, igual, directo e secreto, num processo eleitoral em que vão ser eleitos o Presidente da República, o Vice-Presidente da República e os deputados à Assembleia Nacional.

BARCELONA | Moussa Oukabir. O radical de 17 anos ao volante da carrinha em Las Ramblas



Terá sido este jovem, de 17 anos, o autor material do atropelamento massivo em Las Ramblas, Barcelona. Há dois anos, escreveu nas redes sociais que queria "matar todos os infiéis".

Moussa Oukabir, de 17 anos, terá sido o autor material do atropelamento massivo em Las Ramblas, Barcelona. É neste jovem que está concentrada a investigação policial neste momento, com as autoridades a admitirem que o jovem terá roubado documentos ao irmão para alugar a carrinha. O irmão apresentou-se na polícia logo após o atropelamento, numa altura em que as suas fotografias já estavam a circular como suspeito.

Logo após o atropelamento, foi noticiado que alguém saído da carrinha (presumivelmente, o condutor) teria fugido da viatura. Segundo o El Mundo, que cita fontes policiais, Moussa Oukabir terá conduzido a carrinha que provocou a morte de pelo menos 13 pessoas e mais de 100 feridos. Após o crime, com um boné na cabeça, fugiu a correr do centro da cidade.

Moussa estaria armado, a julgar pelos alertas difundidos pelas autoridades após o incidente. Dois homens foram detidos — um marroquino e um de Melilla — mas logo se soube que nenhum deles seria o condutor.

A investigação policial está a ter em conta o testemunho de Driss Oukabir, que na quinta-feira foi detido em Ripoll, na esquadra policial a que se dirigiu, garantindo que na altura do atentado estava ali mesmo, em Ripoll (Girona), e não em Barcelona. De acordo com Driss, o irmão — o mais novo de cinco irmãos — terá roubado o passaporte do irmão mais velho, de 28 anos, para conseguir alugar não só a carrinha de Barcelona mas, também, outra que foi apreendida horas depois na zona de Vic.

Moussa Oukabir — cujo nome completo é Moussa Oukabir Soprano — vive em Barcelona, ao passo que Driss mora mais a norte, em Ripoll. A identificação de Driss foi encontrada no local do crime, em Barcelona, pelo que inicialmente a investigação se concentrou no irmão mais velho — um homem que, segundo o The Telegraph, esteve detido em 2012 por suspeita de abuso sexual.

Quem é Moussa, o irmão mais novo?

Quanto ao irmão mais novo, Moussa, que continua sem paradeiro conhecido, começam a surgir algumas informações sobre o seu historial. Segundo os jornais espanhóis, Moussa terá feito alguns comentários de teor racial, contra os não-muçulmanos, numa rede social, há dois anos. Na rede social Kiwi, perguntaram-lhe o que faria se se tornasse líder absoluto do mundo: “Matava todos os infiéis e deixaria apenas os muçulmanos continuarem com a religião”, terá escrito. Um país onde nunca viveria? “No Vaticano”.

Moussa terá viajado recentemente até Marrocos e, segundo o La Vanguardia, regressou a Espanha no último dia 13, poucos dias antes do crime. Não há informações consensuais sobre a data de nascimento do jovem — o La Vanguardia diz que Moussa terá já cumprido o 18º aniversário, mas a informação não foi confirmada. O ministro da Administração Interna do governo catalão não quis confirmar a identidade do suspeito.

Segundo o El País, as autoridades acreditam que o jovem pertencia a uma célula terrorista composta por 12 pessoas. Cinco destas foram mortas no outro ataque em Cambrils, três estão detidas — faltam, portanto, quatro (incluindo Moussa), que estão a monte.

Uma jovem que será amiga de Moussa Oukabir, que falou com o jornal catalão mas que preferiu permanecer anónima, diz-se “surpreendida com tudo isto” porque o jovem era um “rapaz normal e muito simpático”. Moussa é descrito pela mesma jovem como um rapaz “um pouco calado e que nunca procurava problemas” — “tinha um grupo de amigos, todos marroquinos, mas falava catalão perfeitamente. Acho que veio para cá com três anos de idade”.

Edgar Caetano | Observador

HÁ PORTUGUESES ENTRE AS VÍTIMAS DA LA RAMBLA | Leia em Observador: Portuguesa entre os 14 mortos de Barcelona


MATANZA EN LA RAMBLA




"El Estado Islámico (ISIS, en sus siglas en inglés) golpeó ayer el corazón de Barcelona y dejó al menos 13 muertos y más de 100 heridos en el atentado más grave que sufre España desde el 11-M y el primero yihadista desde entonces. A las 16.50 horas, una furgoneta se lanzó contra los centenares de personas que se encontraban en La Rambla. Los Mossos confirmaron que se trata de un atentado coordinado. El autor material del atropello masivo se dio a la fuga y sigue en paradero desconocido. La policía catalana ha detenido a dos personas. Una de ellas es Driss Oukabir, que presuntamente alquiló el vehículo. La otra, cuya identidad se ignora, fue detenida en Alcanar (Tarragona), donde los Mossos sospechan que, junto a otras personas, estaba preparando un artefacto explosivo." (El País, com foto)

É assim que o jornal El Pais toma por abertura e manchete o que ontem à tarde ocorreu em La Rambla, Barcelona. Sobre o ataque terrorista quase todos os jornais de Espanha e da UE fazem manchete. A caça ao homem toma proporções enormes em Espanha, Moussa Oukabir é o presumível condutor do veículo que causou tanta mortandade e ferimentos a mais de 100 pessoas, incluindo estrangeiros que passeavam àquela hora na zona pedonal de Barcelona, na La Ramba.

O irmão do presumível condutor está detido. Driss Oukabir é um jovem de 17 anos que, segundo declara o irmão, mais velho, roubou-lhe o seu passaporte para alugar a carrinha com que investiu brutalmente contra os peões em La Rambla.

Há minutos ocorreu a homenagem às vítimas na praça principal de Barcelona. Muitos milhares esgotaram o referido espaço e cumpriram um minuto de silêncio, aplaudindo depois efusivamente e com comoção os que foram pasto da violência terrorista.

Pelas cidades europeias acontecem de vez em quando este tipo de ataques terroristas, o ISIS reivindica-os, como agora aconteceu neste ataque em Barcelona.

Resta-nos prestar-lhes homenagem e perguntar: onde acontecerá a seguir nova barbaridade?


PG, com El País | Foto EFE

Última hora:

O QUE PREPARA O PRESIDENTE MACRON



Thierry Meyssan*

A inquietação apodera-se dos Franceses que descobrem —embora um pouco tarde— não conhecer o seu novo Presidente, Emmanuel Macron. Interpretando as suas recentes declarações e os seus actos em relação ao relatório que redigiu em 2008 para a Comissão Attali, Thierry Meyssan antecipa a direcção para a qual ele está «En marche!» («Em marcha»).

Desde o acidente cerebral de Jacques Chirac, a França não mais teve uma presidência efectiva. Durante os dois últimos anos do seu mandato, ele deixou os seus ministros Villepin e Sarkozy digladiarem-se entre si. Depois, os Franceses elegeram duas personalidades que que não chegaram a personificar a função presidencial, Nicolas Sarkozy e François Hollande. Então, eles escolheram guindar Emmanuel Macron ao Eliseu, pensando, assim, que impetuoso jovem era capaz de assumir a governança.

Contrariamente às campanhas eleitorais precedentes, a de 2017 não foi alvo de debates de fundo. Quando muito, pudemos constatar que todos os pequenos candidatos (isto é, aqueles que não eram apoiados pelos grandes partidos) contestaram profundamente a União Europeia, que todos os candidatos principais içavam, esses sim, aos píncaros.

O essencial da campanha foi um folhetim quotidiano denunciando a suposta corrupção da classe política em geral, e do candidato favorito, François Fillon, em particular; uma narrativa típica de «revoluções coloridas». Como em todos estes modelos, sem excepção, a opinião pública reage apoiando o «bota-abaixismo» : tudo o que era velho estava corrompido, tudo o que era novo era certo e bom. Ora nenhum dos crimes de que todos falavam foi provado.

Nas revoluções coloridas precedentes, a opinião pública levava de três meses (a Revolução do Cedro, no Líbano) a dois anos (a Revolução das Rosas, na Geórgia) a acordar e a descobrir ter sido manipulada. Ela voltou a virar-se então para o que restava da primeira equipe. A arte dos organizadores das revoluções coloridas consiste, pois, em realizar sem espera as mudanças que os seus comanditários entendem operar nas instituições.