sábado, 18 de fevereiro de 2017

CARTA ABERTA AO EMBAIXADOR DA UNIÃO EUROPEIA EM TIMOR-LESTE - M. Azancot de Menezes




(O Povo timorense não precisa de conselhos paternalistas da União Europeia para decidir o seu voto!)

Exmo. Embaixador da União Europeia em Timor-Leste, Senhor Alexandre Leitão

Tomo a liberdade de dirigir-lhe esta Carta Aberta porque, após ter ouvido as suas absurdas declarações proferidas ontem, dia 17 de Fevereiro de 2017, apresentadas na Rádio e Televisão de Timor-Leste (RTTL), não podia deixar de exprimir o meu total repúdio e indignação em relação à sua postura, pública, extremamente presunçosa, desajustada e paternalista, pronunciadas na qualidade de diplomata da União Europeia, violando todos os princípios e padrões internacionais.

Efectivamente, enquanto cidadão timorense, no uso pleno dos meus direitos, não posso ficar indiferente às extravagâncias que proferiu ao imiscuir-se, note-se, em plena pré-campanha eleitoral para as eleições presidenciais (!), nas questões internas que apenas dizem respeito a Timor-Leste, um Estado soberano nos termos da sua Constituição.

O Senhor Embaixador, após ter recebido o nosso irmão candidato da FRETILIN às eleições presidenciais, Senhor Francisco Guterres / Lu´olo, proferiu declarações públicas, note-se, em nome da União Europeia, claramente parciais em momento de campanha pré-eleitoral (Leia-se: com indicação implícita de voto), o que é totalmente inadmissível e condenável internacionalmente porque as atitudes e comportamentos de V. Exa. ferem os princípios mais elementares da ética, da democracia e do respeito pela soberania dos povos.

As declarações públicas proclamadas de forma pretensiosa por Vossa Excelência foram um grave insulto e uma extrema falta de respeito à inteligência do martirizado povo timorense, porque há outros sete candidatos presidenciais com muitos milhares de apoiantes que foram igualmente insultados pelo Senhor Embaixador.

O Povo timorense conquistou a sua independência perdendo os melhores dos seus filhos, com muito sangue e lágrimas, e não precisa de conselhos paternalistas da União Europeia para decidir o seu voto!

Agradeço a atenção.

Melhores cumprimentos.

Díli, 18 de Fevereiro de 2017.


- Publicado em Jornal Tornado

Eleições Presidenciais. Tribunal de Recurso de Díli viola o princípio constitucional da igualdade



O processo eleitoral em Timor-Leste para as eleições presidenciais previstas para 20 de Março de 2017, ainda agora teve início, e já estará a pautar-se por situações que ferem os princípios constitucionais e universais da legalidade e da igualdade

O candidato presidencial independente apoiado pelo Partido Socialista de Timor (PST), António Maher Lopes / Fatuk Mutin, interpôs um recurso com efeito suspensivo junto do Tribunal de Recurso, no dia 15 (5ª Feira), para solicitar a admissão do código (Fatuk Mutin), como era conhecido durante a luta de libertação de Timor-Leste, inscrito logo a seguir ao nome referido no cartão de eleitor, para que viesse a constar em todos os documentos oficiais e nos Boletins de Voto o nome “António Maher Lopes / Fatuk Mutin”.

O Tribunal de Recurso, através dos Juízes Guilhermino da Silva (presidente), Maria Natércia Gusmão e Deolindo dos Santos, decidiu rejeitar o recurso interposto alegando que estava fora do prazo e por outras razões, contudo, terá aceitado que o candidato da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN), Francisco Guterres, usasse o código “Lu´olo”, com a gravidade do código “Lu´olo” não constar nos documentos de identificação do candidato Francisco Guterres.

Ao que apurámos, os candidatos são obrigados a apresentar, no acto da candidatura, uma fotocópia autenticada da Certidão da República Democrática de Timor-Leste (RDTL), e outra do Cartão de Eleitor, para que todos os dados estejam em conformidade com esses dois documentos de identificação.

O documento de Recurso a que o Jornal Tornado teve acesso, refere, entre outras alegações:

“1. Foram violados na douta decisão os Princípios Constitucionais e universais democráticos, da legalidade e da igualdade;

2. Ao não acolher as justas e legítimas pretensões do Recorrente, a decisão favorece uma ilegalidade e favorece pessoalmente um candidato em detrimento do Recorrente e até de outros candidatos;”

O Tribunal de Recurso não terá respeitado a exigência desse cumprimento, podendo haver, por isso, alegado favorecimento de um candidato por parte do Tribunal, uma situação que começa a preocupar alguns candidatos devido aos contornos do caso que violam o princípio constitucional da igualdade, e por ser o Tribunal de Recurso que valida e proclama os resultados do processo eleitoral nos termos do Artigo 126º da Constituição da RDTL.

Lê-se, ainda, no recurso:

“5. Manda a Lei em vigor e que a todos deve obrigar, que o nome a constar na candidatura deverá ser o constante do Registo Civil e do Cartão de Eleitor;

6. Ao arrepio desta norma, esse Venerando Tribunal aceitou que um candidato e só um pudesse ver o “nome de guerra” ou alcunha com que é reconhecido, inscrito nos documentos oficiais e boletins de voto;

7. Não contemplar o “nome de guerra” ou alcunha do Recorrente e com que é reconhecido, constitui um desfavorecimento em relação à outra candidatura em questão;

8. Ao não constar o “nome de guerra” ou alcunha do outro candidato em quaisquer documentos oficiais e ao ser tal circunstância aceite e ultrapassada por esse Venerando Tribunal, atenta contra os legítimos Direitos do Recorrente que é reconhecido na comunidade pelo seu nome de código;

9. A não ser assim, então, esse Venerando Tribunal não deveria ter aceite a outra candidatura por não estar conforme aos documentos que atestam a autenticidade do nome; …”


Moçambique. ATÉ QUANDO VAMOS ADIAR O FUTURO?



@Verdade, editorial

Um mero olhar sobre os acontecimentos do país é notório que estamos longe de ser um país normal, onde os moçambicanos gozam os seus direitos de forma plena e têm a liberdade de fazer as suas escolhas. É bom que se diga que a insana ambição declarada de alguns moçambicanos, particularmente frelimistas, em reduzir o esforço dos moçambicanos à insignificância, propalando a ideia segundo a qual os indivíduos que têm opinião contrária ao regime da Frelimo é inimigo e perseguem interesses obscuros ou estão simplesmente ao serviço de estrangeiros empenhados em empurrar a bela “Pérola do Índico” para o abismo.

É preciso que se compreenda que a diversidade é um factor que enriquece uma sociedade, ou um país. E os que pensam de modo diferente não são, de modo algum, inimigos. Porém, infelizmente alguns moçambicanos ainda não compreenderam isso. Não deveria haver dúvidas que as posições que assumimos são parte fundamental do esforço colectivo de edificação desta pátria. Todos queremos uma nação justa e próspera. Uma nação em que ninguém tenha de ficar preocupado se a Justiça ou a Polícia vira defendê-lo ou condená-lo com base nas suas cores políticas.

Este comportamento, digamos demente, encontra fundamento na seguinte situação: grande parte dos moçambicanos cresceu ou foi criado debaixo da árvore do monopartidarismo; desde a infância, centenas de milhares de moçambicanos nutriram-se (e continuam a nutrir-se) de discursos demagógicos segundo os quais quem tiver ideias diferentes é inimigo, está contra o desenvolvimento, não pode ser patriota e deve ser veemente combatido.

Ontologicamente, por razões históricas, alguns moçambicanos acreditam que apenas um partido tem o direito legítimo de conduzir a nau desta nação. É dentro dessa realidade que assistimos impávidos à partidarização do Aparelho do Estado, da sociedade moçambicana e, consequentemente, resulta na intolerância política, para além de vermos atitudes como a do Serviço Nacional de Salvação Pública que forneceu à residência do água ao ex-comandante-geral da Polícia, numa altura em milhares de moçambicano debatem-se com a crise do precioso líquido.

É, diga-se em abono da verdade, caricato o facto de a Procuradoria-Geral da República comunicar o adiamento do resultado da auditoria internacional às dívidas escondidas contraídas por Armando Guebuza e seus títeres do partido Frelimo, com a desculpa de que se pretendia desenvolver o país.

Os moçambicanos, erradamente, têm sido levados a acreditar em tudo que reluz como sinal de desenvolvimento, quando na verdade reflecte o sucesso material de um indivíduo ou grupo de indivíduos pertencentes a Frelimo. O desenvolvimento, portanto, de um país não se mede pelo sucesso de meia dúzia de empresários ligados ao poder, mas pelo desenvolvimento sócio-cultural da população, pela capacidade dela organizar-se para ser protagonista e quando é dotada de consciência crítica.

Angola. PELA EDUCAÇÃO "MORRE O PEIXE"!



PELA PIOR VIA POSSÍVEL, DESTE MODO OS EXPEDIENTES DA INTELIGÊNCIA ECONÓMICA PORTUGUESA VISAM CRIAR UM AMBIENTE DE ASSIMILAÇÃO, AINDA QUE ATRAVÉS DE PROCESSOS POUCO CLAROS EM FUNÇÃO DOS INTERESSES INERENTES, COMO UMA PLATAFORMA DE ASSALTO A ANGOLA NA VIA NEOCOLONIAL!...

A pirataria de livros escolares em Angola,... continua!

António Jorge*, Luanda

Enquanto que os SME, inviabilizam a Editora Mensagem, que é angolana, não me deixando trabalhar por via dos impedimentos legais escusos, outros,... editoras estrangeiras, vão tomando conta do mercado dos manuais escolares em Angola.

É caso para dizer-se, que o polvo dos livros escolares em Portugal, já chegou a Angola, e que há muito por cá anda,... e vão assumindo cada vez mais, uma posição dominante, em muitos casos de forma ilegal e transformado também nesta questão, Angola re-colonizada pelos manuais escolares Made in Portugal, não só nos seus aspectos gráficos, mas também nos conteúdos.

Era recorrente e os responsáveis sempre fecharam os olhos, a existência de manuais escolares concebidos para Portugal, serem comercializados em Angola, como se da reforma escolar fizessem parte,... Com conivência superior, eram aplicadas as capas dizendo, autorizado pelo INIDE, e assim os alunos durante estes anos foram comendo o que lhes davam, para comprar, numa operação idêntica a outras, de falta de transparência, cuja função não é servir Angola e muito menos a um ensino adequado, mas antes outras razões perversas, contrárias à ética e ao patriotismo.

Hoje, (16.2) e já desde há tempos porque sabia estar em curso mais uma operação,... desloquei-me mais uma vez às grandes superfícies para ver o que para lá anda em matéria de livros escolares e cadernos de actividade, qual não é o meu espanto, apesar de eu desde há tempos procurar encontrar, vejo os manuais de geografia para o primeiro ciclo, a 7ª, 8ª e 9ª, classe da Texto Editores, feito em Portugal, não aprovados pelo conselho cientifico do INIDE - Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento da Educação.

 Claro que isto acontece porque existe uma conexão de interesses cá dentro, ligados ao polvo, em prejuízo dos alunos, da educação, da independência nacional e da ética política,.. porquê,... adivinhem.

Acontece que os manuais de geografia aprovados para o primeiro ciclo, são da Editora Mensagem, devidamente licenciados pelo INIDE, em Angola. O mercado do livro escolar em Angola ainda é regulado pelo Ministério da Educação, ou deveria ser.

Porém, alguém e ao arrepio das orientações superiores, vai liberalizando o mercado dos livros escolares.

(Aliás, ainda se mantém parte da divida pelo fornecimento, desde Maio de 2012, dos manuais do primeiro ciclo de história e de geografia por pagar à Editora Mensagem por parte do INIDE - ME)

Não resisto em citar as palavras de Agostinho Neto, feitas em Junho de 1978:

“Hoje a África parece um corpo inerte, onde cada abutre vem debicar o seu pedaço”.

Outros casos não menos graves vão minando a educação e os bons princípios éticos numa área tão sensível e decisiva para o desenvolvimento de Angola, como é a educação.

É de bradar aos céus, durante meses a fio nas principais ruas de Luanda, foram vendidos fraudulentamente à vista de toda a gente, milhões de livros escolares do anterior sistema vigente do sistema de ensino em Angola, já substituídos, não tendo qualquer utilidade, desde o inicio da reforma escolar em 2001.

Só depois de escuado todo o stock vendido ao publico nas ruas já desactualizados, retirados dos Armazéns da Edimel na marginal de Luanda, não se sabe como,... e que foram adquiridos numa manobra enganosa pelos pais e encarregados de educação, enganados deliberadamente, ainda por cima neste contexto grave de crise e dificuldades acrescidas, comprando lixo para os seus filhos, por valores de aproximadamente de 1000 Kwanzas cada livro (cerca entre 5 e 6 dólares).

Angola tem hoje autores capacitados de nível internacional, tem editoras nacionais com experiência bastante para servir o mercado e a população escolar como parceiros do Ministério da Educação numa perspectiva da defesa dos interesse nacionais, e ainda porque através do despacho de Abril de 2009, que criou a Comissão Nacional do Livro e dos Equipamentos Escolares, o Estado financiou em milhões de dólares empresas para a criação de um parque gráfico capaz e moderno, com o aparecimento de novas e grandes gráficas e a transformação de algumas pequenas em médias e grandes gráficas, para produzirem os livros que Angola precisa e até poderem exportar para África, e que já hoje está até sobre-dimensionado esse parque para as necessidades internas e que, em vez de se importar se deveria fazer em Angola o que se pode fazer, em vez de se deixar saírem muitos milhões de dólares em divisas, para o pagamento de trabalhos gráficos de edições de manuais escolares desnecessários, feitos no exterior e que tanta falta fazem ao país, mais ainda nesta altura de crise.

Assim vai e educação.

*António Jorge - editor e livreiro em Angola

Nas imagens os livros piratas de geografia agora em distribuição em Angola, vindos de Portugal. E alguns dos livros do tempo do anterior sistema vigente, que foram vendidas num processo de burla ao consumidor,... dizem que por assalto à Edimel - A Edimel era uma empresa do Estado que antes tinha a função da distribuição de livros escolares nas escolas.


MANUAIS ESCOLARES EM ANGOLA POSSUÍDOS POR POLVO DE GRANDES TENTÁCULOS (reposição)



Mário Motta, Lisboa

A educação, as escolas, os compêndios escolares e restante material didático são a bagagem para o futuro que é adquirida pelas crianças de todo o mundo com o apoio dos professores(as). O desenvolvimento das crianças, futuros adultos e futuro das nações, depende essencialmente disso. 

O Estado angolano tem por princípio legal que os manuais escolares sejam entregues gratuitamente aos alunos desde o pré-primário. Com essa deliberação o Estado angolano apostou e aposta no futuro, possibilita a todos que desde crianças desfrutem de iguais oportunidades na aquisição de conhecimento, de instrução, de cultura, da sabedoria que representa o desenvolvimento dos futuros homens e mulheres que vão possibilitar uma sociedade mais equilibrada, justa, criativa, sã, culta e preparada para produzir desenvolvimento nos vários setores da economia. O interesse coletivo é que todos aprendam com igualdade de oportunidades. Quantos mais, melhor. Entre outros objetivos essa foi a meta traçada pelo Estado angolano quando não negou às crianças, cujos pais têm menores recursos (ou nem têm recursos nenhuns), a oportunidade de aprenderem do mesmo modo que aqueles que vivem sem problemas de recursos financeiros. O Estado angolano foi justo na sua deliberação.

Tudo estaria bem se acabasse em bem. Mas não está bem. Em Angola, apesar da deliberação e esforço do Estado, os manuais escolares não chegam à maioria dos alunos cujos pais não têm recursos para garantirem a aprendizagem dos seus filhos. Os manuais escolares que superiormente foram decididos serem de distribuição gratuita estão a ser vendidos na candonga porque existe uma máfia organizada que reduz as tiragens tipográficas dos manuais gratuitos para assim causar a procura no chamado mercado negro. Escusado será dizer que são vendidos a preços exorbitantes, o que leva muitos pais a terem de fazer sacrifícios enormes para os comprar. Os pais que os conseguem ainda comprarem. São aos milhares as crianças que não têm os referidos manuais que em princípio deviam ser gratuitos.

Como é explicado por aqueles que em Angola conhecem todas as “maroscas” do “polvo”:

“A cada ano que passa o estado angolano que garante a distribuição gratuita de livros escolares para a pré e a primária, cobrindo o universo de alunos "de Cabinda ao Cunene e do mar ao leste", se vê esvaziado nos seus legítimos propósitos: os editores-distribuidores e as gráficas que deveriam corresponder, produzem abaixo das necessidades e possibilitam ao polvo que os domina, a venda no "mercado informal" duma parte dessa produção. Tudo isso é feito com o fito de enriquecer o polvo-sabotador e anti-patriótico, um polvo disposto a tudo, à custa de milhões de crianças angolanas.”

Neste tema a realidade convida a que seja mostrado à sociedade angolana e a todo o mundo como associação ou associações criminosas se permitem ser um estado dentro do próprio Estado. Ter tanto ou mais poder que o Estado. Aumentando de ano para ano maior escassez de manuais escolares que deviam ser gratuitos para produzir e vender mais manuais no chamado “mercado negro” a preços proibitivos. A mola real é a ganância de uns quantos que se sobrepõe ao interesse coletivo de um país, comprometendo, neste caso, o futuro dos angolanos. É isso que está em causa e também a legalidade. É o governo de Angola que tem por obrigação fazer cumprir o disposto por si em prol dos interesses das crianças angolanas. É ao Estado que compete proteger os cidadãos. Principalmente as crianças. Proteger o futuro de Angola e dos angolanos. 

Este tema não encerra aqui. O Página Global continuará com esta abordagem em agenda. Se necessário com maior incidência no quem é quem de um polvo que tem nome, para além de poderosos e compridos tentáculos que urge amputar. Para bem das crianças angolanas. No inalienável interesse da sociedade e de Angola.

*Reposição:  Publicada por Página Global à(s) março 20, 2015 

Ler mais em Página Global

António Burity, ex-ministro da Educação de Angola, está a ser apontado nas suspeições de estar envolvido e ser figura grada na responsabilidade pelo “negócio” dos livros escolares que são pagos pelo Estado angolano e distribuídos gratuitamente às crianças angolanas que frequentam a pré-primária e primária.

… Enquanto o estado angolano, a cada ano que passa, se compromete publicamente a distribuir gratuitamente os livros escolares por todo o universo estudantil da primária, da pré à 6ª classe, quem tutela as gráficas e as editoras-distribuidoras, ao não haverem mecanismos de investigação e controlo sobre os seus procedimentos, indiciam ter passado a ter um só fito, que põe em causa ética e moral: a arrecadação de enormes quantidades de dinheiro correspondentes a pagamentos de livros que não chegaram a ser produzidos, com a agravante de vender uma parte do pouco que o foi, o que redunda em imensos prejuízos para o processo de formação, educação e ensino de centenas de milhares de crianças que mereciam toda a justiça e vontade patriótica em seu tão legítimo benefício! …

PARA QUE SERVE A INTELIGÊNCIA ECONÓMICA PORTUGUESA EM ANGOLA?




REDUNDANTE DUM MERCADO NEOLIBERAL QUE PROTEGE INTERESSES PONTUAIS QUE CHEGAM DE FORA, ESTE "JOGO" DO SME, POR AQUILO QUE ME É DADO OBSERVAR, ENCAIXA-SE NOS PROPÓSITOS DE EXPEDIENTES PONTUAIS DE INTELIGÊNCIA ECONÓMICA PORTUGUESA (EDITORAS PORTUGUESAS), QUE PARA SE INSTALAREM A COBERTO DE ALGUNS "PARCEIROS" ANGOLANOS, PRECISAM DE DESTRUIR OBSTÁCULOS "CONCORRENTES" JÁ EXISTENTES EM ANGOLA, MESMO QUE SEJAM INTERESSES INSTALADOS HÁ DÉCADAS E SEJAM LUSO-ANGOLANOS, COMO O CASO FAMILIAR DO ANTÓNIO JORGE E SUA ESPOSA, ENQUANTO EDITORES E LIVREIROS...

REFÉM DO SME, A FAMÍLIA DO ANTÓNIO JORGE PODE ASSIM ESTAR À MERCÊ DE GRUPOS COM PROCEDIMENTO TÍPICO DE MÁFIAS!...

OS INTERESSES DE ANGOLA NÃO COINCIDEM COM ESTE TIPO DE MANIPULAÇÕES E INGERÊNCIAS QUE REVERTEM PARA UM CONTENCIOSO ENTRE ESTADOS A PARTIR DO MOMENTO QUE SEJAM PUBLICAMENTE DENUNCIADOS, CONFORME O ESTÁ A FAZER O ANTÓNIO JORGE! (Martinho Júnior)
  
SME - Serviços de Emigração e Estrangeiros de Angola

António Jorge*, Luanda

Negligência ou excesso de zelo!

Tenho mais de 22 anos de Angola, em que estive sem sair;

Que corresponde a 8.220 dias e 197.280 horas de Angola, de forma consecutiva.

A que se deverá somar, eu ter mulher de nacionalidade angolana e filhos aqui nascidos.

Porém e apesar de nunca ter estado ilegal no pais, continuo refém dos SME, pela não ree-missão do meu cartão de cidadão estrangeiro residente, e com consequências catastróficas para a minha vida pessoal e mesmo para a empresa editorial em que estou na condição de editor e director executivo, atirando esta pelas minhas limitações legais, nomeadamente nas minhas relações e atribuições bancárias por obra dos SME, e que me impedem indirectamente de gerir a editora e impedem ainda a minha mobilidade necessária que é fundamental para eu poder gerir as questões de ordem editorial, e que implicam saídas ao exterior do pais, e que não o podendo fazer, entre outros prejuízos, estão cerca de 200 mil dólares em gráfica no estrangeiro para trabalhos gráficos em atraso, devido a eu não poder sair há anos e ainda porque origina a sua infuncionalidade e até mesmo a depredação e lesão patrimonial, dado ter terceiros assinar e a movimentar as contas bancárias da editora e a gerir essas contas em minha substituição, e isto, apesar de todo um processo da normalização da editora, ter sido obtido pela intervenção ao mais alto nível do Estado Angolano, por via da intervenção da Casa Civil da Presidência da República, no processo de resgate da Editora Mensagem, desde 4 de Março de 2016.

Assim, estou de saída de Angola, a curto prazo e zangado, o que tinha aqui a fazer deixou de fazer sentido e ser importante para mim, a minha família e a editora, agora à deriva por culpa dos SME... como sou marido da sócia, irei procurar vender essa posição societária, dado que vou regressar à minha terra, ao Porto, onde já está a viver e a estudar a minha mulher que é angolana.

Trata-se além do mais, de um problema de direitos humanos e de abuso ou perseguição, pelo que encaro mesmo a possibilidade de vir a desencadear um processo contra quem provocou estes prejuízos irreparáveis e desnecessários.

Haja advogado que tenha coragem e aceite a minha intenção.

Hoje no Banco BAI, fui confrontado com novas exigências e que não aceito e por isso denuncio publicamente este facto e o SME, por tantos prejuízos materiais e morais à minha vida pessoal e profissional, e agora, porque já nem sequer posso levantar dinheiro da minha conta pessoal, por não estar de posse do famigerado cartão de residente estrangeiro, mas apenas de um papel dos SME.

Se me sentir sem meios para viver e os meus filhos não tiverem que comer, o BAI, que me espere com eles ao balcão a exigir o meu dinheiro, porque à fome não vão morrer!

É mau eu sair daqui zangado!


JOÃO LOURENÇO PROMETE “CERCO APERTADO” À CORRUPÇÃO EM ANGOLA



O cabeça-de-lista do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) às próximas eleições gerais, general João Lourenço, prometeu hoje um "cerco apertado" à corrupção, que está a "corroer a sociedade", e o fim da "impunidade" no país.

O vice-presidente do MPLA e ministro da Defesa Nacional discursava no Lubango, capital da província da Huíla, no primeiro ato oficial de massas da pré-campanha às eleições gerais de agosto em Angola, às quais já não concorre José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.

Perante mais de 100.000 apoiantes, segundo números da organização, João Lourenço foi fortemente aplaudido ao destacar que a corrupção em Angola é um "mal que corrói a sociedade", prometendo combatê-la.

Recordando que a corrupção é um fenómeno que afeta todos os países, João Lourenço advertiu que o problema é a "forma" como Angola encara o problema: "Não podemos é aceitar a impunidade perante a corrupção".

Segundo a Constituição angolana, o Presidente da República é o cabeça-de-lista do partido mais votado nas eleições gerais no círculo nacional, lista que será liderada em 2017 por João Lourenço.

Falando a partir de um palco com duas fotografias de grande dimensão de José Eduardo dos Santos - chefe de Estado e presidente do MPLA - e do cabeça-de-lista do partido, João Lourenço prometeu um "cerco apertado" ao "grande mal" da corrupção e apoio aos empresários que trabalham de forma honesta.

Recordou que os empresários têm "apenas três obrigações fundamentais", nomeadamente licenciar a empresa, pagar "atempadamente" os salários e os impostos ao Estado.

"De resto, deixem-nos trabalhar. Não ponham mais dificuldades", sublinhou, referindo-se aos problemas que os empresários enfrentam para investir em Angola devido, disse, ao conhecido pagamento de "gasosas" para ultrapassar as "pedras no caminho".

"Se conseguirmos combater a corrupção, até os corruptos vão ganhar com isso", ironizou, num discurso transmitido em direto pela Televisão Pública de Angola (TPA) e pela Zimbo, canal privado de televisão.

"Que sejamos nós, que não seja a oposição, a tomar a dianteira no combate a este mal", apelou, sobre o combate à corrupção.

Num discurso de uma hora, João Lourenço prometeu a descentralização e municipalização do país, mas sem se referir às primeiras eleições autárquicas em Angola, ainda por agendar.

Apontou igualmente que o "primeiro investimento" deve ser feito nos formadores, que produzem os quadros angolanos.

A saúde é outra das vertentes prioritárias da candidatura de João Lourenço, bem como o aumento da produção nacional, para travar as importações.

"É uma vergonha que a carne para o nosso cidadão tenha que ser importada, quando podemos produzir o gado cá na terra", disse, prometendo fazer de Angola "um verdadeiro celeiro".

Em termos de investimento, e num momento em que Angola enfrenta ainda uma crise económica e financeira devido à quebra nas receitas do petróleo, o candidato voltou a falar no envolvimento dos privados na reconstrução nacional.

"Vamos criar parcerias público-privadas para recuperar as infraestruturas (...). Não precisa de ser o Estado sozinho a construir", apontou, aludindo à intenção de atribuir "concessões" por vários anos a privados (envolvendo construção e gestão), mas sem especificar em que áreas.

Na intervenção, a primeira pública como cabeça-de-lista do MPLA, João Lourenço prometeu ainda uma revisão na política de imigração, tornando "mais fácil e simplificado" o processo de concessão de vistos a estrangeiros.

"Vamos abrir a política de vistos e fazer um controlo muito mais cerrado à entrada de ilegais. Vamos combater seriamente os ilegais, aqueles que pulam a janela e nos surpreendem no quarto. E abrir mais a porta da frente da nossa casa, para os legais", enfatizou, acusando os imigrantes ilegais de estarem a levar para fora de Angola, ilicitamente, recursos minerais, como diamantes.

As próximas eleições gerais em Angola ficam desde já marcadas por uma transição no poder, tendo em conta a não recandidatura de José Eduardo dos Santos, que não integra qualquer lista do MPLA, embora mantendo-se como presidente do partido.

"Precisamos de ganhar as eleições. Temos a vitória nas nossas mãos, não a deixemos fugir", apelou João Lourenço.

Lusa, em Notícias ao Minuto

Angola. JOSÉ SAIAGO



 Martinho Júnior, Luanda 

Ao fim da tarde do dia 13 de Fevereiro de 2017, faleceu na cidade do Kuito, no Bié, o camarada José Saiago.

O malogrado finou-se com a idade de 82 anos, sendo até à data um dos membros mais idosos da comunidade de segurança do país e membro associado da Acção Social Para Apoio e Reinserção, ASPAR.

Em vida, desde a fundação das geoestratégicas Forças Especiais do Bié em 1976, foi um técnico auto que garantiu a operacionalidade das viaturas que possibilitaram algumas das respostas mais operativas daquela unidade e de outras, enquanto houve acções de guerra em Angola.

Fizesse chuva, fizesse sol, qualquer que fosse a hora do dia ou da noite, respondeu sempre com prontidão às necessidades, quantas vezes aceitando os riscos a fim de garantir os movimentos das tropas.

Viveu também “in loco” as horas mais difíceis da cidade do Kuito, quando a guerra dilacerou o tecido humano na capital do Bié, na década de 90 do século passado.

Foi um homem criativo nas suas aptidões profissionais, encontrando soluções técnicas e logísticas ali onde parecia ser impossível obter resultados práticos e sempre sob pressão.

Malgrado os esforços contínuos da ASPAR, faleceu sem benefício de qualquer tipo de pensão de reforma, nem de apoio institucionalizado do estado angolano.

Muitos camaradas, companheiros de luta e combatentes estão ainda nessa situação que nos obriga a recordar que, sendo dos primeiros em todo o tipo de frentes garantes de independência e soberania, os membros da comunidade estão a ser dos últimos a, com a dignidade que merecem em função do seu exemplo patriótico e dos deveres cumpridos com perseverança e estoicismo ao longo das primeiras décadas de Angola libertada, beneficiar do reconhecimento e apoio nas reformas que tardam a ocorrer na última fase de suas vidas.

Além das razões institucionais desta intervenção, há portanto sobejas razões humanitárias e solidárias que obrigam o presente elogio fúnebre, para que o combate à pobreza não seja uma ideia no abstracto e se possa concretizar em toda a extensão humana que o processo histórico angolano exige.

Para que o estado angolano corresponda como é desejo de toda a comunidade, é necessário que uma outra atenção seja prestada a entidades colectivas como a ASPAR, pelo que uma vez mais se apela nesse sentido, fazendo ainda uso da qualidade de Instituição de Utilidade Pública que é por obrigação e dever desde o Decreto Presidencial nº 06/12 de 16 de Janeiro de 2012, conforme determinação de Sua Excelência o Senhor Presidente da República José Eduardo dos Santos.

Honra à memória de todos os camaradas, companheiros de luta e combatentes que cumpriram com seus deveres substantivos nas horas mais decisivas e difíceis, garantes da independência, da soberania e da democracia em Angola!

Fotos: Assembleia provincial de membros da ASPAR no Bié a 15 de Junho de 2011, presidida pelo camarada Brigadeiro Sacha, Presidente da ASPAR, que contou também com a presença do camarada José Saiago conforme uma das fotos em que aparece de pé, quando dirigia a palavra perante a audiência e a mesa.

Portugal. CGD: POLÍTICA E NEGÓCIOS MISTURAM-SE NA POLÉMICA DOS SMS



Ex-dirigente do CDS-PP é simultaneamente conselheiro de Estado, vice-presidente do BPI e administrador do jornal Público

Depois de Lobo Xavier dar conhecimento das comunicações entre Domingues e Centeno ao Presidente da República, o seu conteúdo é publicado pelo jornal de que é administrador.

O conselheiro de Estado António Lobo Xavier confessou, ontem, do seu lugar de comentador residente na SIC Notícias, que divulgou o conteúdo das mensagens entre o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos e o Ministério das Finanças. O ex-deputado do CDS-PP, não respondendo claramente, insinuou que leu as comunicações trocadas pelo seu antigo colega no conselho de administração do BPI e as transmitiu a Marcelo Rebelo de Sousa.
«O Presidente teve conhecimento das informações que tinha através de um contacto pessoal comigo» - ANTÓNIO LOBO XAVIER, QUADRATURA DO CÍRCULO
Esta revelação levanta vários problemas, tanto no plano político como do próprio sistema financeiro. Lobo Xavier é uma escolha pessoal do Presidente da República e mantém acesso priveligiado a Marcelo. Mas é simultaneamente administrador do BPI, um dos maiores interessados na fragilização da Caixa Geral de Depósitos – para além de destacado militante do CDS-PP. No início do mês, após a conclusão da tomada do BPI pelo espanhol CaixaBank, Lobo Xavier é mesmo promovido a vice-presidente do conselho de administração do banco, ficando apenas abaixo de Fernando Ulrich na hierarquia do BPI.

Recorde-se que a polémica nasceu após um outro comentador e conselheiro de Estado indicado por Marcelo, Marques Mendes, ter questionado na mesma SIC se a alteração do Estatuto do Gestor Público não isenta a apresentação da declaração de rendimentos e património junto do Tribunal Constitucional pela administração do banco público. O ex-líder do PSD e o antigo presidente do grupo parlamentar do CDS-PP assumem a dianteira da polémica, acompanhados pelos seus partidos.

O aproveitamento político do caso pelo PSD e pelo CDS-PP tem sido bastante criticado, inclusivamente por sectores internos. Os partidos parecem apostados em fazer cair o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, de forma a forçar a privatização (parcial ou total) do banco público, imposta pela Comissão Europeia.

O estranho caso de Lobo Xavier, o informador. (ver vídeo em AbrilAbril)

Muitos têm associado a recente polémica em torno do ministro Mário Centeno e de António Domingues como um reflexo das disputas politico-partidárias. Neste vídeo, procuramos mostrar porque pode ser um pouco mais do que isso e as relações que a imprensa omitiu, quando, ao longo do dia de hoje, amplificou acriticamente as palavras do comentador.

AbrilAbril

Portugal. QUE BEM TRABALHA A SEITA!




Rogério V. Pereira – Jornal Tornado, opinião

Uma figura, um cadáver político, anda por aí só porque a imprensa o quer fazer passar por vivo. Um tema já morto e a imprensa mantém-no mal enterrado

Fui-me ao Google porque me tinha esquecido de um título de um autor admirado e digitei “l_i_v_r_o”. Quando ia escrever o nome do tal autor, o Google deu-me a volta à pesquisa e meteu-me à frente do nariz a consulta que eu nunca quis.

A explicação não requer reflexão aprofundada. Basta pensar que o motor de busca, rápido, tem resposta pronta quando um tal algoritmo cruza a frequência da procura com a intensidade da oferta. Dizendo de outro modo, se a imprensa, toda, a escrita, a televisiva e a falada, escreve, mostra e fala com intensidade compulsiva, basta uma palavra-chave, para vir uma enxurrada…

Outra, mas parecida cena, é o caso do tal tema… mal escrevi , no Google, “comissão” e pimba, levei com o folhetim da CGD em cima. Estou esmagado. E pensar que o Congresso de Jornalistas foi há pouco mais de um mês. Ocorre-me que nessa oportunidade lembrei um estudo, actualíssimo, do qual citava esta passagem:

“A conclusão mais surpreendente deste estudo é, porém, a circunstância de um terço do produto jornalístico dos diários estudados ser produzido por iniciativa das redacções. Mais de 60% das notícias resultam, pois, de uma acção de indução por parte de assessores de imprensa, relações públicas, consultores de comunicação, porta-vozes e outros peritos de spin doctoring.”

Que bem trabalha a seita!

OS LAÇOS DE TRUMP AO PASSADO E A RESSURREIÇÃO DA ESQUERDA



'De Omnibus Dubitandum' 

Deve-se duvidar de tudo


James Petras

O presidente Trump está profundamente entranhado na estrutura do estado profundo do imperialismo americano. Contrariando referências ocasionais à não intervenção em guerras além-mar, Trump tem seguido as pegadas dos seus antecessores.

Enquanto neoconservadores e liberais têm levando um alarido acerca dos laços de Trump com a Rússia, suas "heresias" sobre a NATO e suas aberturas para a paz no Médio Oriente, na prática ele tem posto de lado seu imperialismo supostamente humanitário e tem-se envolvido nas mesmas políticas belicosas da sua rival presidencial do Partido Democrata, Hillary Clinton.

Uma vez que lhe falta a "demagogia" ardilosa do ex-presidente Obama e não recobre as suas acções com apelos baratos a políticas "de identidade", os pronunciamentos brutos e abrasivos de Trump levam jovens manifestantes às ruas em acções de massa. Estas manifestações são não tão discretamente apoiadas pelos principais oponentes de Trump entre os banqueiros da Wall Street, especuladores e magnatas dos mass media. Por outras palavras, o presidente Trump é um homem que abraça e segue os ícones e não uma "revolucionário" ou mesmo um "agente de mudança".

Prosseguiremos discutindo a trajectória história que provocou o nascimento do regime Trump. Identificaremos a seguir políticas e compromissos que determinam a direcção presente e futura da sua administração.

Concluiremos identificando como a reacção actual pode produzir transformações futuras. Desafiaremos o actual delírio catastrofista e apocalíptico e apresentaremos razões para uma perspectiva optimista para o futuro. Em suma, este ensaio indicará como tendências negativas actuais podem tornar-se realisticamente positivas.

Sequências históricas 

Ao longo das últimas duas décadas presidentes dos EUA desbarataram os recursos financeiros e militares do país em múltiplas guerras intermináveis e perdedoras, bem como em milhões de milhões (trillion) de dólares de dívidas comerciais e desequilíbrios orçamentais. Líderes dos EUA enlouqueceram provocando grandes crises financeiras globais, levando à bancarrotas os maiores bancos, destruindo pequenos possuidores de hipotecas, devastando a indústria manufactureira e criando desemprego maciço seguido por empregos precários e de baixo salário o que levou ao colapso de padrões de vida para as classes trabalhadora e extractos baixos da média.

Guerras imperiais, bail-outs de milhões de milhões de dólares para os bilionários e fuga se peias de corporações multinacionais para o exterior aprofundaram amplamente desigualdades de classe e deram origem a acordos comerciais favorecendo a China, Alemanha e México. Dentro dos EUA, os maiores beneficiários destas crises têm sido os banqueiros, bilionários da alta tecnologia, importadores comerciais e exportadores do agro-negócio.

Confrontados com crises sistémicas, os dominadores do regime responderam com o aprofundamento e expansão dos poderes dos presidentes dos EUA na forma de decretos presidenciais. Para encobrir a longa série de derrocadas, denunciantes patriotas foram encarcerados e a vigilância estilo estado-policial infiltrou-se em todo sector da cidadania.

Os presidentes Bush, Clinton e Obama definiram a trajectória das guerras imperiais e da pilhagem da Wall Street. A polícia de estado, as instituições militares e financeiras estão firmemente incorporadas na matriz do poder. Centros financeiros, como a Goldman Sachs, têm reiteradamente estabelecido a agenda e controlado o Departamento do Tesouro dos EUA e as agências que regulam o comércio e a banca. As "instituições permanentes" do estado permaneceram, enquanto presidentes, pouco importando de que partido, foram baralhados nos pormenores do "Gabinete Oval".

O "Primeiro Negro" presidente Barack Obama prometeu paz e prosseguiu com sete guerras. Seu sucessor, Donald Trump, foi eleito com promessas de "não-intervenção" e imediatamente adoptou o "bastão de bombardeamento" de Obama: o minúsculo Iémen foi atacado pelas forças dos EUA; aliados da Rússia na região do Donbass da Ucrânia foram atacados de modo selvagem pelos aliados de Washington em Kiev e o "mais realista" representante de Trump, Nikki Haley, adoptou uma atitude belicosa na ONU no estilo da "Madame Intervenção Humanitária" Samantha Power, zurrando invectivas contra a Rússia.

Onde está a mudança? Trump seguiu Obama ao aumentar sanções contra a Rússia, enquanto ameaça a Coreia do Norte com aniquilação nuclear no rastro da grande acumulação militar de Obama na península coreana. Obama lançou uma guerra por procuração contra a Síria e Trump escalou a guerra aérea sobre Raqqa. Obama cercou a China com bases militares, navios e aviões de guerra e Trump marchou em frente com retórica guerreira. Obama expulsou um recorde de dois milhões de trabalhadores mexicanos ao longo de oito anos; Trump seguiu-o ao prometer deportar ainda mais.

Por outras palavras, o presidente Trump obedientemente juntou-se à marcha de acordo a trajectória dos seus antecessores, bombardeando os mesmos países alvos enquanto plagia os seus discursos maníacos nas Nações Unidas.

Obama aumentou o tributo anual (ajuda) a Tel Aviv para uns entusiásticos US$3,8 mil milhões enquanto balia umas poucas críticas pro-forma acerca da expansão israelense ao sequestro de terras na Palestina; Trump propôs deslocar a Embaixada dos EUA para Jerusalém enquanto choramingava um pouco quanto às suas próprias mini-críticas aos colonatos judeus ilegais em terras roubadas aos palestinos.

O que é esmagadoramente gritante é a semelhança das políticas e estratégias de Obama e de Trump em política externa, seus meios e aliados. O diferente é o seu estilo e retórica. Ambos os presidentes "Agentes de mudança" imediatamente romperam as mesmas falsas promessas pré-eleitorais e funcionam bem dentro dos limites das instituições permanentes do estado.

Quaisquer que sejam as diferenças que tenham elas são um resultado de contextos históricos contrastantes. Obama assumiu no momento do colapso do sistema financeiro e procurou regular bancos a fim de estabilizar operações. Trump assumiu após a "estabilização" de um trilião de dólares de Obama procura eliminar regulações – nas pegadas do presidente Clinton! Assim, "demasiado barulho" acerca da "desregulação histórica" de Trump!

O "Inverno do descontentamento" na forma de protestos em massa contra a proibição de Trump a imigrantes e visitantes de sete países predominantemente muçulmanos segue-se directamente às "sete guerras mortais" de Obama. Os imigrantes e refugiados são resultados directos das invasões e ataques de Obama a estes países que levaram a assassinatos, mutilações, deslocamentos forçados e miséria para milhões de "predominantemente" (mas não exclusivamente) de muçulmanos. As guerras de Obama criaram dezenas de milhares de "rebeldes", insurgentes e terroristas. Os refugiados, que fogem pelas suas vidas, foram amplamente excluídos dos EUA sob Obama e a maior tem procurado abrigos seguros nos campos asquerosos e caóticos da UE.

Por terrível e ilegal que seja o encerramento da fronteira feito por Trump a muçulmanos e por esperançosas que pareçam os protestos públicos em massa, tudo isso é o resultado da política de quase uma década de assassinato e agressão sob o presidente Obama.

Seguindo a trajectória da política, Obama derramou o sangue e Trump, no seu estilo racista vulgar, é deixado a "limpar a confusão". Enquanto Obama foi agraciado com um "Prémio Nobel da Paz", o irado Trump é fortemente atacado por limpar o sangue!

Trump optou por pisar o caminho do opróbrio e enfrenta a ira do purgatório. Enquanto isso, Obama está a jogar golf, a surfar ao vento e exibir o seu sorriso despreocupado aos escrevinhadores que o adoram nos mass media.

Quando Trump pisa com força o caminho preparado por Obama, centenas de milhares de manifestantes enchem as ruas para protestar conta o "fascista", com grande número das principais redes de mass media, dúzias de plutocratas e "intelectuais" de todos os géneros, raças e credos a retorcerem-se em ultraje moral! Fica-se confuso com o silêncio ensurdecedor destes mesmos activistas e forças quando as guerras agressivas os ataques de Obama levaram às mortes e deslocamentos de milhões de civis, principalmente muçulmanos e principalmente mulheres – quando seus lares, festas de casamento, mercados, escolas e funerais foram bombardeados.

Chega de confusionismo americano! Dever-se-ia tentar entender as possibilidades que se levantam de um sector maciço finalmente a romper seu silêncio quando o belicismo do loquaz Obama foi transformado na marcha bruta de Trump para o juízo final.


Perspectivas optimistas 

Há muitos que desesperam mas há mais que se tornaram conscientes. Identificaremos as perspectivas optimistas e as esperanças realistas enraizadas na realidade e tendências actuais. Realismo significa discutir desenvolvimentos contraditórios e polarizadores e portanto não aceitamos quaisquer resultados "inevitáveis". Isto significa que resultados são "terreno contestado" onde factores subjectivos desempenham um papel importante. A interface de forças em conflito pode resultar numa espiral ascendente ou descendente – rumo a maior igualdade, soberania e libertação ou maior concentração de riqueza, poder e privilégio.

A mais retrógrada concentração de poder e riqueza encontra-se na oligárquica União Europeia de dominação alemã – uma configuração que está sob assédio por forças populares. Os eleitores do Reino Unidos optaram por sair da UE (Brexit). Em consequência, a Grã-Bretanha enfrenta uma ruptura com a Escócia e Gales e uma ainda maior separação da Irlanda. O Brexit levará a uma nova polarização quando banqueiros com base em Londres partirem para a UE e líderes do mercado livre confrontarem trabalhadores, proteccionistas e a massa crescente dos pobres. O Brexit fortalece forças nacionalistas-populistas e de esquerda na França, Polónia, Hungria e Sérvia e estilhaça a hegemonia neoliberal na Itália, Espanha, Grécia, Portugal e alhures. O desafio aos oligarcas da UE é que a insurgência popular intensificará a polarização social e pode trazer à tona movimentos de classe progressistas ou partidos e movimentos autoritários-nacionalistas.

A ascensão de Trump ao poder e seus decretos executivos levou a polarizar muitos os eleitorados, aumentou a politização e a acção directa. O despertar da América aprofunda fissuras internas entre democratas com "d" minúsculo, mulheres progressistas, sindicalistas, estudantes e outros contra os oportunistas do Partido Democrata com "D" maiúsculo, especuladores, antigos belicistas Democratas, burgueses negros do Partido "D" (os líderes extraviados) e um pequeno exército de ONGs financiadas por corporações.

O abraço de Trump à agenda militar Obama-Clinton e da Wall Street levará a uma bolha financeira, gastos militares inchados e guerras mais custosas. Isto dividirá o regime dos seus apoiantes sindicais e da classe trabalhadora agora que o gabinete de Trump é compostos inteiramente de bilionários, ideólogos, sionistas raivosos e militaristas (em oposição à sua promessa de nomear homens de negócios e realistas duros para negociar). Isto poderia criar uma oportunidade rica para a ascensão de movimentos que rejeitariam a cara realmente feia do regime reaccionário de Trump.

A animosidade de Trump à NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) e a defesa do proteccionismo e da exploração financeira e de recursos minará os regimes corruptos, assassinos e narco-liberais que têm dominado o México durante os últimos 30 anos desde os dias de Salinas. A política anti-imigração de Trump levará mexicanos a escolherem "combater ou fugir" ao confrontar o caos social criado pelos gangs narco e da polícia. Isto forçará o desenvolvimento de mercados internos e indústrias do México. O consumo de massa interno e a propriedade abarcará movimentos nacionais-populares. O cartel da droga e seus patrocinadores políticos perderão os mercados estado-unidenses e enfrentarão oposição interna.

O protecionismo de Trump limitará o fluxo ilegal de capital a partir do México, o qual montou a US$48,3 mil milhões em 2016, ou 55% da dívida do México. A transição do México da dependência e do neocolonialismo polarizará profundamente o estado e a sociedade; o resultado será determinado pelas forças de classe.

As ameaças económicas e militares de Trump contra o Irão fortalecerão forças nacionalistas, populistas e colectivistas em relação a políticos neoliberais "reformistas" e pró ocidentais. A aliança anti-imperialista do irão com o Iémen, Síria e Líbano solidificar-se-á contra o quarteto conduzido pelos EUA da Arábia Saudita, Israel, Grã-Bretanha e EUA.

O apoio de Trump ao apresamento maciço de terra palestina por Israel e sua proibição "só judeus" contra muçulmanos e cristãos levará ao sacudir dos quislings multi-milionários da Autoridade Palestina e a ascensão de muitos mais levantamentos e intifadas.

A derrota do ISIS fortalecerá forças governamentais independentes no Iraque, Síria e Líbano, enfraquecendo a alavancagem imperial dos EUA e abrindo a porta a lutas populares democráticas e laicas.

A campanha anti-corrupção em grande escala e a longo prazo do presidente da China, Xi Jinping, levou à prisão e remoção de mais de um quarto de milhão de responsáveis e homens de negócios, incluindo bilionários líderes de topo do Partido. As prisões, processos e encarceramentos reduziram do abuso do privilégio, mas, mais importante, melhorou as perspectivas para um movimento de desafio às vastas desigualdades sociais. Aquilo que começou "de cima" provocou movimentos "de baixo". O ressuscitar de um movimento rumo a valores socialistas pode ter um grande impacto sobre estados vassalos dos EUA na Ásia.

O apoio da Rússia a direitos democráticos no Leste da Ucrânia e a reincorporação da Crimeia através de referendo pode limitar regimes fantoches dos EUA no flanco sul da Rússia e reduzir a intervenção estado-unidense. A Rússia pode desenvolver laços pacíficos com estados europeus independentes com a ruptura da UE e a vitória eleitoral de Trump sobre a ameaça de guerra nuclear do regime Obama-Clinton.

O movimento à escala mundial contra o globalismo imperialista isola a direita apoiada pelos EUA que tomou poder na América do Sul. A procura do Brasil, Argentina e Chile de pactos comerciais neoliberais está na defensiva. Suas economias, especialmente na Argentina e Brasil, assistiram a um triplicar do desemprego, quadruplicar da dívida externa, estagnação até crescimento negativo e agora enfrentam greves gerais com apoio de massa. A adulação do neoliberalismo está a provocar luta de classe. Isto pode derrubar a ordem pós Obama na América Latina.

Conclusão 

Por todo o mundo e no interior dos países mais importantes, a ordem ultra-neoliberal do último quarto de século está em desintegração. Há uma ascensão maciça de movimentos a partir de cima e de baixo, de democratas de esquerda a nacionalistas, de populistas independente a reaccionários da direita "velha guarda". Um universo polarizado e fragmentado emergiu. O começo do fim da actual ordem imperial-globalista está a criar oportunidades para uma nova ordem dinâmica democrático colectivista. Os oligarcas e as elites da "segurança" não cederão facilmente a exigências populares nem se afastarão. Facas serão afiadas, decretos executivos avançarão e golpes eleitorais serão encenados para tentar tomar poder. Os movimentos democrático-populares emergentes precisam ultrapassar a fragmentação da identidade e estabelecer líderes unificados e igualitários que possam actuar decisivamente e independentemente afastando-se dos líderes políticos existentes que fazem gestos dramáticos, mas falsos, enquanto procuram um retorno ao fedor e imundície do passado recente. 

O original encontra-se em http://petras.lahaine.org/?p=2127 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ 

ARROGÂNCIA, ATITUDE NATURAL NA PÓS-MODERNIDADE



Cena de “O Lobo de Wall Street”, de Martin Scorcese

“Nas condições atuais de desigualdade, concorrência e redução de tudo a dinheiro, todo indivíduo é incitado a ignorar a ideia de limite e se mostrar onipotente”

Claudine Haroche* - Outras Palavras - Tradução Yolanda Vilela

O texto de Claudine Haroche descreve a personalidade associada à arrogância que “se inscreve numa relação social, psicológica e política que se define como uma relação de dominação, de ascendência que supõe maneiras de se apropriar dos bens ou das pessoas pela sedução, manipulação ou brutalidade.” Traduzida por uma relação de desigualdade e que se situa entre a vontade de poder e a servidão voluntária. Para a autora, “Todo indivíduo se vê, hoje, incitado, para não dizer coagido, concretamente – considerando as condições de desigualdade, de concorrência no mundo contemporâneo, nas práticas ao menos, e pouco a pouco no valor exclusivo dado ao dinheiro – a ignorar a relação com o limite, com a própria ideia de limite, e se mostrar, dessa forma, arrogante, onipotente:   a arrogância seria considerada doravante como inevitável ou mesmo natural nas sociedades narcísicas”. (Myriam Bahia Lopes).

Inicio esse capítulo com a proposta de examinar os contextos e as condições – as épocas, os regimes, os sistemas – que sustentam os processos que favorecem a expressão e o desenvolvimento das maneiras de ser e de sentir que emanam de personalidades que designaremos como arrogantes.

Esse tipo de personalidade se inscreve numa relação social, psicológica e política que se define como de dominação, de ascendência que supõe maneiras de se apropriar dos bens ou das pessoas pela sedução, manipulação ou brutalidade.

Para começar, eu gostaria de enfatizar – outros o fizeram antes de mim – que embora seja muito difícil definir a arrogância, nem por isso ela é menos percebida, vivida como muito real, assim como o assédio. Ela faz parte desses fatos frequentemente insidiosos, imperceptíveis que podem se exprimir por uma atitude, por um gesto, um olhar, uma palavra. 


PÁGINA GLOBAL IMPEDIDO DE PUBLICAR POR DIFICULDADES NA REDE





POR DIFICULDADES NA REDE DE INTERNET ESTIVEMOS IMPEDIDOS DE PUBLICAR DURANTE TRÊS DIAS. PEDIMOS DESCULPA PELA INTERRUPÇÃO. 

PREVÊ-SE QUE HAVERÁ PROXIMAMENTE OUTRA INTERRUPÇÃO POR MAIS UM DIA.

Redação PG

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

UMA LONGA LUTA EM ÁFRICA – V



NO BERÇO DAS GLORIOSAS FAPLA

 Martinho Júnior, Luanda

9 – A Zâmbia, em meados da década de 70 do século XX, haveria de tornar-se num ponto nevrálgico para a luta de libertação levada a cabo pelo MPLA sob a clarividente e patriótica direcção de António Agostinho Neto.

Não era por acaso que Lusaka era a capital africana sensivelmente a meio caminho entre Brazzaville e Dar es Salam, de onde se distendiam as correntes progressistas da Tricontinental voltadas a sul, testadas nos embates com a internacional fascista que tinham o “apartheid” como seu fulcro principal, socorrendo-se sempre de governos títeres filtrados pelas inteligências da NATO, França incluída.

Com a mudança do esforço para a Frente Leste (IIIª e IVº Regiões Político Militares), o MPLA manteria mesmo assim esforços a norte, na direcção da IIª e da Iª Regiões Militares, a partir duma retaguarda como o Congo post Abade Fulbert Youlou, com capital em Brazzaville, inestimável componente progressista cujo território lhe servia de rectaguarda na mesma altura em que se havia instalado a IIª coluna do Che!

A inteligência francesa e as redes de Jacques Foccart haviam perdido em Brazzaville e isso levou à queda do Abade Fulbert Youlou, bem como de Tshombé no Katanga, algo que havia de alterar o quadro a oeste do grande Congo!

Progressistas congoleses, angolanos e cubanos haviam de tornar possível essa rectaguarda, apesar de conjunturas refractárias que favoreceram a eclosão da “revolta activa”, uma corrente de oposição ao Presidente Agostinho Neto que pouca influência teve directamente no corpo de guerrilheiros e na conduta da luta armada no terreno.

Na Zâmbia a situação era contudo bem diferente da do Congo: ali perante tantas indecisões africanas, vulneráveis ao neocolonialismo de então, as linhas de inteligência dos campos progressista e internacional fascista, cruzavam nas ruas de Lusaka, no miolo da complexa sociedade zambiana, nos campos sócio-político (inclusive nos instrumentos de poder onde era visível a olho nu o papel britânico), económico e diplomático.

O MPLA tinha imensas limitações em Lusaka, mas nas províncias ocidentais da Zâmbia, fora dos olhos e dos instrumentos de poder do estado zambiano sob a égide do Presidente Keneth Kaunda, havia um desafogo que providenciava maior capacidade de manobra e mobilização humana das rectaguardas que catapultavam a guerrilha para dentro de Angola.

Em 1973 na Zâmbia, a linha internacional fascista juntou esforços de forma conjugada para tentar obstruir ou vergar a Luta de Libertação do MPLA e da FRELIMO, procurando a todo o transe neutralizar a direcção até então indomável do Presidente Agostinho Neto.

O colonialismo português fez mão das seguintes linhas de conduta, entre outras, no que a Angola dizia respeito:

- Reorganizou com alguns resultados, coerciva ou persuasivamente, as populações angolanas nas áreas de projecção do MPLA, implantando as “sanzalas da paz” num enquadramento de “acção psicológica”, “contra subversão” e “contra propaganda”, com vista a inibir os contactos das comunidades com a guerrilha do MPLA;

- Recrutou Savimbi, no quadro da Operação Madeira, de modo a que ele se opusesse à progressão das guerrilhas do MPLA em direcção à geoestratégica região central das grandes nascentes, no amplo planalto do Bié;

- Delineou ofensivas militares que implicaram intervenções mais poderosas que antes (operações Sirocco, por exemplo), com muito maior capacidade de manobra (as SADF deram uma ajuda a partir de 1968 no Cuando Cubango) e introduzindo o emprego de desfolhantes sobre as áreas libertadas do MPLA;

- Organizou ofensivas de inteligência no âmbito da plataforma Alcora, conduzidas, por exemplo, por via de Jorge Jardim ou explorando contactos do Caminho de Ferro de Benguela, enredando particularmente o Presidente Kenneth Kaunda e explorando a capacidade dos enlaces da inteligência económica dos colonialistas portugueses com outras componentes de inteligência, sobretudo as determinadas pela presença do “lobby” dos minerais na região, dominadoras do“copperbelt” zambiano.

A “ementa” dos procedimentos de inteligência da internacional fascista contra o MPLA correspondia ao que tradicionalmente o imperialismo forjava amiúde em África: divisionismo, tribalismo, regionalismo, etno-nacionalismo, agenciamentos nas elites africanas em função dos interesses neocoloniais (como ocorria na “FrançAfrique”)… uma “ementa” que no MPLA pôde influenciar na Frente Leste uma parte do corpo de guerrilha de origem camponesa (cerca de 2.000 homens), face às vicissitudes da luta armada e sua expressão elástica, mas poucos comandantes de coluna e esquadrão arrastou.

No Congresso de Lusaka (de 18 a 22 de Agosto de 1974), sob as condições especiais em que ele se realizou (condições impostas pelo governo zambiano), os comandantes de coluna e de esquadrão do Exército Popular de Libertação de Angola apareceram fardados, com as devidas patentes, desarmados mas unidos no apoio firme ao Presidente Agostinho Neto, fruto naturalmente das experiências históricas já acumuladas e dum longo trabalho ideológico, cívico, organizativo e disciplinar interno protagonizado no seguimento do esforço de “Vitória é Certa”…

Foi assim, nesse caudal de confrontações ideológicas e enfrentando a acção concertada de várias inteligências integradas na internacional fascista, que nasceram as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola!

As FAPLA, como o MPLA, estavam imunes sob a direcção do Presidente António Agostinho Neto, em relação aos mais diversos expedientes das inteligências do campo da internacional fascista, inclusive dos expedientes de inteligência económica e do seu providencialmente adstrito “soft power”, aglutinado em torno do “lobby” dos minerais!

A trajectória de Daniel Chipenda haveria de o comprovar como um factor vulnerável estimulado pela internacional fascista no quadro de suas projectadas influências em África.

Daniel Chipenda não era um comandante guerrilheiro e ao dar a cara pela Revolta do Leste assumindo a sua direcção num momento em que a passos largos se aproximava a derradeira batalha pela independência e soberania de Angola no cumprimento do Programa Mínimo do MLA, conduziu essa facção no trânsito pela FNLA, rumo à constituição do Batalhão 32, (“Batalhão Búfalo”), uma unidade militar que recebeu efectivos mais diversos de proveniência lusófona (inclusive são-tomenses), integrando os esforços das South Africa Defences Forces.

Esses efectivos tiveram instrução secreta em MPupa e integrariam a “Task Force” da Operação Savana levada a cabo pelas SADF em estreita coordenação com a CIA (Operação “Iafeature”) com o governo zairense, com a FNLA e com a UNITA.

10 – Sob a direcção clarividente do Presidente António Agostinho Neto e integrando as linhas de inteligência progressistas arquitectadas em África, apostadas na Luta contra o colonialismo português, contra o “apartheid” e contra uma variada “ementa” de suas sequelas, o MPLA e as FAPLA assumiram a continuidade da libertação do continente “de Argel ao Cabo da Boa Esperança” do lado oeste da Linha da Frente (a leste assumiu-o com uma geometria mais variável de procedimentos a FRELIMO, em Moçambique)!

Primeiro foi garantida a independência e a soberania num quadro progressista que serviria de base à constituição da Linha da Frente, ou seja a deslocação na direcção sul (Luanda e Maputo), da linha de partida entre Brazzaville e Dar es Salam.

Esse passo teve também que ver com a esclarecida ajuda internacionalista cubana em África, desde a passagem do Che em 1965.

Depois foi garantida a continuidade da luta contra o “apartheid”, tornando-se Angola na “trincheira firme da Revolução em África”, ainda que os espaços neocolonizados fossem extensivos às suas fronteiras, conforme o Zaíre de Mobutu e a vulnerabilidade da Zâmbia.

O MPLA, as FAPLA e os seus aliados (particularmente Cuba), estiveram à altura dos desafios e foram exemplares sob o ponto de vista geoestratégico, obtendo-se sucessivamente as independências da Namíbia (com a SWAPO em vantagem) e do Zimbabwe (emergindo a ZANU- PF sob direcção de Robert Mugabe), assim como o colapso do regime do “apartheid”…

Esse exemplo perdura até hoje inscrito na história contemporânea das regiões austral e central do continente africano e deve ser melhor aproveitado no sentido da SADC priorizar todos os processos viáveis de integração num quadro de alargada luta contra o subdesenvolvimento, o que está a tardar acontecer.

De facto essa integração, para além das iniciativas de diversificar a economia angolana, torna-se urgente face à expansão da mancha neocolonial em África, na direcção sul e a partir do Sahara e do Sahel, desde o Senegal à Somália, algo que já se manifesta na própria textura dominante na União Africana!

É evidente também que essa integração não pode perder de vista as actividades das inteligências económicas das potências interessadas nos investimentos, tendo em conta os dilemas africanos correntes, ou seja: por um lado a necessidade e a aspiração de desenvolvimento em África, por outro a sujeição à devassa das inteligências dos investidores, sobretudo na tentativa de que África seja continuamente reduzida à “expressão tradicional” de mero fornecedor de matérias-primas e numa posição de completa dependência, ou vassalagem, em função dessa perspectiva eminentemente neocolonial de relacionamento com o continente-berço da humanidade!

Elementos da internacional fascista filtrados pelas inteligências suas componentes:

O abade Fulbert Youlou (Congo, Brazzaville) e Moisés Tshombé (Katanga), desfilando na então Elizabethville (http://libeafrica4.blogs.liberation.fr/2015/03/18/le-barbouze-africain-de-foccart/);

O Presidente Mobutu do Zaíre e o homem-chave da célula africana da Presidência Francesa, Jacques Foccart (http://www.ivoirebusiness.net/articles/fran%C3%A7afrique-jacques-foccart-lhomme-de-lombre-%C3%A0-la-lumi%C3%A8re-de-ses-archives );

Prova da ambiguidade portuguesa post 25 de Novembro de 1975: visita dos Botha à Madeira em 1986 (https://www.publico.pt/2013/12/09/mundo/noticia/mandela-mandela-gritou-mario-viegas-na-recepcao-oficial-aos-botha-na-madeira-1615639);

Prova da “filtragem” de Daniel Chipenda e da Revolta do Leste, transforada em Batalhão Búfalo (https://www.facebook.com/WarInAngola/photos/a.958170037550382.1073741838.167528979947829/1053168324717219/?type=3&theater);

Outra prova dessa “filtragem” elaborada no âmbito da internacional fascista: a constituição das forças que integraram a Operação Savana das SADF contra Angola (https://www.facebook.com/WarInAngola/photos/a.958170037550382.1073741838.167528979947829/1053168324717219/?type=3&theater)